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Baiano Jaldo Caribé é campeão mundial de BMX na França


Publicado em: 26/07/2022 14:37
Por: Redação Bahia Municipios com Agências Foto: Divulgação


Atleta de 22 anos chegou a fazer rifa para bancar viagem

O baiano Jaldo Caribé foi campeão mundial de BMX Racing, disputado em Nantes, na França, que começou nesta terça-feira (26). Com 22 anos, ele já é bicampeão brasileiro na classe Cruiser até 24 anos e tem títulos de campeão sul-americano e pan-americano. Ele era o único sul-americano na disputa pela sua categoria hoje.

O atleta passou em primeiro nas três fases classificatórias, nas oitavas e nas quartas. Na seminfinal, ele foi o terceiro melhor, mesmo assim garantindo vaga para a grande final, quando se sagrou campeão.

Esse é o primeiro título mundial da carreira do baiano, que chegou a fazer uma rifa para arrecadar dinheiro e bancar a permanência por doze dias na França, já que não tem um patrocinador. A Superintendência dos Desportos (Sudesb) pagou as passagens do atleta.

Início no esporte
O atleta começou a pedalar ainda criança no parque de Pituaçu, acompanhado pelo pai. “Meu pai, desde que eu era pequenininho, já me estimulava a andar de bike e a gente andava sempre no parque Pituaçu. Ele tinha uma cadeirinha na bicicleta, me colocava sentado e andávamos. Quando chegou uma época em que eu comecei a insistir que queria andar lá, coincidiu que eu tirei as rodinhas da minha bicicleta e então foi uma paixão à primeira vista. Foi só me trazer na primeira vez”, relembrou o jovem. Dali em diante, foram inúmeros campeonatos estaduais e nacionais disputados e Jaldo cresceu com a vida nas pistas caminhando em paralelo com os estudos.

Entretanto, durante sua trajetória houve um hiato. Uma lacuna que o afastou dos pedais por quase quatro anos de sua vida. Estudante de Engenharia Mecânica, a vida acadêmica se tornou o principal foco em sua vida até o começo de 2020. Nesse período, a perda do pai, um dos seus principais incentivadores dentro do esporte, foi um dos fatores que inibiam o retorno de Jaldo para as pistas.

Mas assim como da primeira vez que experimentou a pista, lá em 2007, bastou uma volta no circuito para o coração acelerar novamente e a saudade acabar de uma vez. Ele lembra do incentivo que recebeu de amigos, principalmente daqueles que praticavam BMX e sabiam da relação de Jaldo com o esporte.

“Existe um grupo chamado Cachorro Velho, formado por pilotos daqui de Salvador e Camaçari que estão no esporte desde os anos 1980/90. Eles me viram crescer, conheceram meu pai, minha família. Eles me ligaram, fizeram a manutenção na bike e fui para a pista em Camaçari. Foi só dar a primeira volta e acendeu tudo aquilo de novo, os planos de competir vieram novamente”, relembrou.

E em novembro de 2021 veio seu período mais vitorioso. Num intervalo de menos de dez dias Jaldo Caribé levou os troféus de campeão brasileiro, sul-americano e pan-americano. De lá para cá, em competições, ainda não perdeu nenhuma prova. “Depois de defender o título e me tornar bicampeão, não houve dúvidas de que o caminho é ir pro Mundial e ver o que é que vai acontecer lá”.

Futuro nas pistas

Ao conversar com Jaldo, não há como deixar de questionar sobre seus planos dentro do esporte daqui em diante. Ele revela que, hoje, consegue ter uma visão mais completa do que é o esporte e conciliar com os estudos. Mas não descarta uma mudança de direcionamento para se tornar profissional.

“Hoje eu tenho uma outra cabeça, eu vejo o esporte de uma outra forma. Não vou mentir que eu tenho vontade de tentar um ciclo olímpico, sabe? A próxima é em Paris e a partir de outubro deste ano já começa a ser contada a pontuação para as Olimpíadas. Não vou dizer que é certo, mas eu estou pensando em um passo de cada vez. Depois do Mundial eu tenho o Pan-Americano, em setembro, mas existem planos sim de tentar essa vaga em Paris”, afirma.

O caminho rumo à profissionalização no BMX passa não só pela competência e mérito do atleta. Além do apoio que teve da Sudesb e de Leonardo Gonçalves, seu treinador, Jaldo revela que nunca foi procurado por marcas para parcerias ou patrocínio.

“Nunca recebi uma proposta. Pelo contrário, sempre tive que buscar, ir atrás. Hoje tenho amigos que me ajudam de alguma forma, não com pagamento, mas consigo fazer minha preparação física na academia sem pagar, por exemplo. Mas você nunca quer estar pedindo demais nem porque não existe um contrato, né? Nunca cheguei a ver um contrato na minha frente”, conta.

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