domingo, 22 fevereiro, 2026

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Alta do preço do ouro desafia joalheiros a buscar inovação para conquistar clientes

A valorização do ouro no mercado internacional tem provocado impactos diretos em toda a cadeia produtiva. Segundo dados do relatório Desempenho da Mineração Baiana 2025, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), em 2024 o metal atingiu valores recordes históricos, influenciado por incertezas geopolíticas e pela conjuntura internacional.

De acordo com a economista mineral da SDE, Ana Cristina Magalhães, essa combinação levou a um aumento de mais de 32% em 12 meses. “O movimento foi impulsionado especialmente pela significativa demanda dos bancos centrais, que buscam aumentar suas reservas oficiais, vez que o mundo vive um momento de incerteza econômica e geopolítica”, afirmou.

Joalheiros sentem os efeitos

A alta tem afetado diretamente os joalheiros, que lidam com a escassez de matéria-prima e a retração da demanda. Flaviws Silva, professor de joalheria do Centro Gemológico da Bahia (CGB), explica que o impacto é visível em diferentes etapas. “Como fabricante, sentimos a diminuição na produção e na procura por confecção de joias. Muitos fornecedores retêm o metal na expectativa de que o preço continue subindo, o que dificulta ainda mais o acesso ao material”, comentou.

A ourives Andressa Lobo, ex-aluna e monitora do CGB, aponta que o cenário exige adaptação. Segundo ela, os consumidores têm buscado peças de prata banhadas a ouro ou joias mais leves com pedras para reduzir custos. “É uma forma de continuar oferecendo produtos ao público”, disse.

Já o fabricante Antônio Rios observa que a valorização também abriu espaço para o ouro como investimento. “O mercado vê o ouro não apenas como uma joia, mas como um investimento. Você compra hoje e, daqui a 10 anos, pode vender por um valor maior”, explicou. Esse movimento tem estimulado ainda a transformação de peças antigas em novas joias, unindo sustentabilidade e valor simbólico.

Tecnologia e tradição

O uso da impressão 3D também tem se destacado como aliado. Segundo o joalheiro e ex-aluno do CGB, Wilton Almeida, o recurso permite a confecção de peças leves em escala. “O acabamento é o diferencial de uma joia; a tecnologia facilita, mas não substitui o trabalho manual”, ressaltou.

Formação e qualificação

No contexto de mudanças, os cursos do Centro Gemológico da Bahia têm ganhado relevância. A unidade, no Centro Histórico de Salvador, oferece capacitação em Lapidação, Joalheria, Design de Joias e Gemologia Básica. “As aulas do centro são muito importantes, não só para o conhecimento de quem quer investir em joias, mas também para quem muitas vezes precisa disso para sobreviver e sustentar a sua família”, afirmou Flaviws Silva.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, reforçou a importância da qualificação. “Conhecer o ouro, seus teores, técnicas de lapidação e design eleva a qualidade das peças produzidas. No cenário atual, é justamente a qualificação que permite ao setor se reinventar, superar os desafios e continuar crescendo”, destacou.

As inscrições para os cursos do CGB podem ser feitas presencialmente, na sede da instituição, na Rua Gregório de Matos, 27, no Centro Histórico de Salvador. Os interessados precisam ter 18 anos ou mais e ensino fundamental completo. Informações pelo telefone (71) 3115-7904.

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