domingo, 22 fevereiro, 2026

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Haddad confirma criação de delegacia especializada para investigar crimes financeiros

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) a criação de uma delegacia especializada destinada a combater crimes contra o sistema financeiro. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Spare, desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um grupo criminoso acusado de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis, fintechs e jogos de azar. A informação é da Agência Brasil.

“Essa delegacia vai combater de forma estruturada o crime organizado, bem como a intersecção entre o crime organizado e a economia real”, explicou Haddad. O ministro afirmou ainda que a proposta será enviada ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI) nas próximas semanas, para inclusão no organograma da Receita Federal.

Segundo o ministro, esta foi a quarta operação do tipo, conduzida com apoio de órgãos como o Ministério Público Federal, Ministérios Públicos estaduais e polícias militares. “As empresas movimentavam R$ 4,5 bilhões e pagavam tributos sobre apenas 0,1% desse montante. E isso despertou a atenção da Receita”, detalhou.

Operação Spare

A Operação Spare cumpriu 25 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos quase R$ 1 milhão em espécie, 20 celulares, computadores e uma arma de fogo. Participaram 110 policiais militares do Comando de Choque de São Paulo, além de agentes da Receita Federal, da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria da Fazenda.

O comandante do Policiamento de Choque, coronel Valmor Racorti, confirmou as apreensões. Já o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, destacou a mudança de atuação das facções. “As facções criminosas passaram muito tempo priorizando o tráfico de entorpecentes, mas novas estruturas têm possibilitado que elas atuem em outras frentes, inclusive na economia formal e no ambiente político”, afirmou.

O promotor Silvio Loubeh, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explicou que a investigação teve início com denúncias de casas de jogos na Baixada Santista. “Investigando as empresas que recebiam esses recursos, identificamos dois postos de combustíveis envolvidos com lavagem de dinheiro. A partir daí, identificamos um grupo criminoso responsável pelo branqueamento de capitais não só por meio dos dois postos, mas também de outros estabelecimentos, motéis e empresas de fachada que movimentaram milhões de reais”, declarou.

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