Vinte reféns israelenses foram libertados pelo Hamas na Faixa de Gaza, na madrugada deste sábado (11), como parte do acordo de cessar-fogo que prevê a troca por prisioneiros palestinos. De acordo com a Cruz Vermelha, os libertados foram divididos em dois grupos — sete no primeiro e 13 no segundo — e encaminhados para bases militares israelenses, onde passam por avaliação médica.
Entre os libertados estão Elkana Bohbot, Matan Angrest, Avinatan Or, Yosef-Haim Ohana, Alon Ohel, Evyatar David, Guy Gilboa-Dalal, Rom Braslavski, Gali Berman, Ziv Berman, Eitan Mor, Segev Kalfon, Nimrod Cohen, Maxim Herkin, Eitan Horn, Matan Zangauker, Bar Kupershtein, David Cunio, Ariel Cunio e Omri Miran, segundo informações do canal saudita Al-Hadath e da mídia hebraica.
O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, iniciou a libertação de palestinos detidos em prisões do país, em cumprimento ao mesmo acordo. A operação ocorre em paralelo à entrega dos reféns à Cruz Vermelha.
Troca mediada pela Cruz Vermelha
Ao todo, 48 reféns estavam sendo mantidos em Gaza — 20 deles vivos e 28 supostamente mortos — e começaram a ser encaminhados para Israel após 738 dias em cativeiro. As libertações estão sendo realizadas em três locais diferentes da Faixa de Gaza, com intermediação da Cruz Vermelha.
Segundo o porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, os reféns serão levados para a base militar de Re’im, no sul de Israel, onde reencontrarão suas famílias. “A libertação dos reféns por completo deve acontecer até o meio-dia de hoje”, afirmou.
Após a confirmação da chegada dos reféns às áreas controladas por Israel, cerca de dois mil prisioneiros palestinos deverão ser libertados.
Logística e impasse político
Cerca de 250 prisioneiros foram transferidos para as prisões de Ofer, na Cisjordânia ocupada, e Ketziot, ao sul de Israel, próxima à fronteira com o Egito. As movimentações visam facilitar a logística da troca, conforme informou o serviço penitenciário israelense.
Um ponto de impasse no acordo é o desarmamento do Hamas, que afirmou que o tema está “fora de discussão”. A proposta, costurada pelos Estados Unidos, prevê anistia a combatentes que entregarem suas armas, mas o grupo diz que isso só será possível após a criação de um Estado palestino soberano, com Jerusalém como capital.
“O plano de entregar as armas está fora de discussão e não é negociável”, declarou um membro do Hamas à Agência de Notícias AFP. Netanyahu, por sua vez, tem reiterado que o objetivo de Israel é “acabar com o Hamas”, o que deve dificultar futuras negociações.
Conflito e destruição em Gaza
Desde a escalada do conflito, há dois anos, mais de 67 mil pessoas morreram em Gaza — a maioria mulheres e crianças — e cerca de 170 mil ficaram feridas. Em Israel, foram registradas 1.600 mortes.
A devastação atingiu 90% das moradias na Faixa de Gaza, obrigando quase dois milhões de pessoas a deixarem suas casas. Hospitais, escolas e prédios públicos foram destruídos, enquanto o bloqueio israelense agravou a fome e dificultou a chegada de ajuda humanitária.

