O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (24), durante entrevista a jornalistas na Indonésia, que “traficantes são vítimas de usuários também”, ao comentar a ofensiva do governo de Donald Trump contra o tráfico internacional de drogas na Venezuela.
“Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente fosse mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente, os usuários. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, disse o chefe do Planalto.
“Ou seja, então você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra. Tem gente que compra porque tem gente que vende. Então, é preciso que a gente tenha mais cuidado no combate à droga”, completou Lula, reforçando a necessidade de estratégias equilibradas e legais.
Contexto internacional e críticas à violência
Nos últimos meses, a administração Trump tem ampliado movimentações militares nas águas do Caribe com a justificativa de combater cartéis de drogas. Na quinta-feira (23/10), Trump sugeriu a possibilidade de uma ofensiva terrestre na Venezuela.
“Eles continuam enviando drogas por terra. Muito menos, porque eles acham que algo grande vai acontecer, e eles estão certos. Algo muito sério vai acontecer. O equivalente ao que está acontecendo no mar”, disse o presidente norte-americano.
Lula criticou diretamente a postura de Trump: “Você não fala que vai matar as pessoas. Você tem que prender as pessoas, julgar as pessoas, saber se a pessoa estava ou não traficando, e aí você pune as pessoas de acordo com a lei. É o mínimo que se espera de um chefe de Estado”.
Perspectiva do Brasil
O presidente brasileiro defende uma abordagem baseada em legalidade, prevenção e justiça, alertando para a complexidade do combate às drogas, que envolve usuários e traficantes. A declaração também reforça a preocupação de Lula com métodos que desrespeitem direitos humanos e soberania de outros países.
