O presidente da França, Emmanuel Macron, foi recebido nesta quarta-feira (5) pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), em Salvador, durante a abertura do Festival Nosso Futuro França-Brasil: Diálogos com África, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM). A visita integra a Temporada França-Brasil 2025, que celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Antes da solenidade, Macron fez um tour pelo Centro Histórico, acompanhado da comitiva francesa e do embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain. O primeiro ponto visitado foi a Galeria Pierre Verger, na Rua da Misericórdia, seguido pelo Largo Terreiro de Jesus, onde o presidente foi recepcionado com uma apresentação da banda Didá. O passeio contou ainda com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, da presidente da Funarte, Maria Marighella, e do presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues.
Em caminhada até o Pelourinho, Macron foi recebido pelos grupos Olodum e Filhos de Gandhy, conheceu a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e encerrou o trajeto na Casa do Benin, mantida pela Fundação Gregório de Mattos (FGM).


Reencontro de culturas
Durante a abertura do festival, Bruno Reis deu as boas-vindas ao presidente francês. “Quero dizer que se sinta verdadeiramente em casa. Seja bem-vindo à primeira capital do Brasil, a capital mais negra fora da África. Para a gente, é motivo de muito orgulho receber o presidente francês pela primeira vez na história”, afirmou o prefeito, destacando o simbolismo da data, que coincidiu com o Dia da Cultura.
O chefe do Executivo municipal também ressaltou a ancestralidade africana na formação do povo baiano e a longa história de cooperação entre os dois países. “Dos africanos herdamos a cultura, a nossa ancestralidade, a arte, a dança e o jeito baiano de ser. Com os franceses, a nossa relação vem há mais de 200 anos, desde 1825, quando o governo francês reconheceu a independência do Brasil”, lembrou Bruno Reis.
Ele ainda comparou as cores das bandeiras da Bahia e da França — azul, vermelho e branco — como símbolo das semelhanças históricas e culturais. “Temos muito que nos une nesses 200 anos de relações bilaterais, principalmente nos aspectos culturais e econômicos. É por isso que a nossa relação com a França é cada vez mais forte”, completou.
Macron elogia acolhida baiana
Macron agradeceu a recepção calorosa e afirmou estar emocionado com a visita. “É um enorme privilégio esse calor e essa acolhida que tivemos ao longo de toda essa tarde. Eu não tenho palavras para exprimir o meu sentimento de tão bem que fui recebido aqui hoje”, declarou.
O presidente francês destacou ainda a força simbólica da relação entre os três continentes. “Encontrei nas ruas de Salvador a França da Europa, o Brasil e a África. Conseguimos transformar esse triângulo que começou difícil, com dores, com muita resiliência, nesse triângulo atual de amor”, afirmou.
Segundo Macron, o festival marca o início de uma nova fase cultural entre os países. “Estamos criando peça por peça, degrau por degrau, para aprofundar essa relação e mudar as cores desse triângulo para melhor”, disse.
No MAM, o líder francês visitou a exposição “Roméo Mivekannin, o avesso do tempo”, do artista franco-beninense Roméo Mivekannin, em cartaz até 15 de novembro. A mostra reflete sobre história, arte e representatividade, revisitando obras clássicas da pintura para provocar o público sobre autoria e identidade.
Festival e conexões internacionais
Desde agosto, Salvador tem promovido cerca de 30 atividades culturais dentro da Temporada França-Brasil 2025, que posiciona a cidade como polo de intercâmbio entre América Latina, Europa e África. O Festival Nosso Futuro segue até sábado (8), com programação que inclui debates, música, gastronomia e ações educativas, em parceria com o Institut Français, o Governo Federal, a Prefeitura de Salvador e a Ufba.
Na manhã da mesma quarta, a sede da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), no Comércio, recebeu a abertura do Fórum Nosso Futuro, um dos eventos do festival. O encontro reúne jovens e representantes de cidades africanas, da França e do Brasil para debater inclusão social, igualdade de gênero, justiça territorial e sustentabilidade urbana.
