Três policiais militares envolvidos na morte de Kailan Oliveira de Jesus, ocorrida no município de Jequié em maio de 2023, serão submetidos a júri popular após recurso apresentado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).
Ontem, quinta-feira (6), a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça julgou e acatou os pedidos do MPBA, por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), reformando a sentença da Vara Criminal de Jequié, que havia absolvido sumariamente os policiais. Também foi determinada a prisão cautelar dos PMs Milton Ferraz de Andrade Júnior, Edgar Almeida Gomes e Valdomiro Teixeira Dias.
No recurso, os promotores de Justiça do Geosp reforçaram que a morte de Kailan ocorreu por execução sumária, com recurso que impossibilitou sua defesa e por motivo torpe, “tendo sido praticada por agentes do Estado que abusaram de sua autoridade, forjaram provas e manipularam a cena do crime, apresentando posteriormente uma versão inverídica dos fatos à autoridade policial”. Eles ressaltaram que a materialidade do crime é incontestável e os indícios de autoria são robustos.
As investigações apontam que, no dia 10 de maio de 2023, os policiais invadiram a residência da irmã de Kailan de Jesus, retirando ela e os filhos de dentro da casa, onde permaneceram sozinhos com a vítima. Minutos depois, com a vítima desarmada e sem apresentar resistência, os policiais atiraram contra ele, que morreu instantaneamente.
Os PMs foram presos pela primeira vez em dezembro de 2024 no sudoeste baiano, durante a deflagração da ‘Operação Choque de Ordem’, que investigou o envolvimento dos agentes na morte. Foram presos novamente em março de 2025, quando a Justiça acatou recurso do MP contra decisão de soltura da Vara Criminal de Jequié.
