Faltando poucos dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos estudantes enfrentam uma velha conhecida: a ansiedade. Além da preocupação com o desempenho, surge o medo de esquecer tudo na hora da prova — o temido “branco”. Segundo especialistas, o fenômeno tem explicação científica e está ligado à forma como o corpo reage diante de situações de estresse.
A psicóloga e orientadora educacional do Bernoulli Educação, Marina Ansaloni, explica que o cérebro, ao perceber uma situação como ameaça, desvia o foco das funções cognitivas. “Diante de situações avaliativas, o corpo entende que está em perigo e aciona mecanismos de defesa. O cérebro, então, prioriza funções de sobrevivência, como manter o corpo em alerta, em vez das cognitivas, ligadas à memória e ao raciocínio”, detalha.
De acordo com a especialista, o “branco” é causado principalmente pela ansiedade de desempenho, o medo de fracassar e o perfeccionismo. “O aluno não esquece o conteúdo, apenas perde momentaneamente o acesso a ele por estar sob forte tensão emocional. Com técnicas simples de gestão emocional, é possível restabelecer o foco e recuperar o equilíbrio”, afirma Marina.
A psicóloga orienta os estudantes a reconhecerem os sinais do próprio corpo para interromper o ciclo do estresse. “Identificar respiração curta, batimentos acelerados ou pensamentos negativos é o primeiro passo para não deixar a ansiedade dominar”, diz.
No dia anterior a prova, a recomendação é priorizar o descanso, a alimentação e o sono. Durante a prova, caso o “branco” apareça, Marina recomenda fechar os olhos e respirar profundamente. “É importante lembrar que o ‘branco’ é temporário. Ao dar tempo para o cérebro se reorganizar, o acesso ao conteúdo tende a retornar”, orienta.
Ela também destaca a importância do apoio emocional de familiares e professores. “Validar o esforço do estudante, demonstrar confiança e oferecer escuta acolhedora reduz o medo do erro e reforça a sensação de segurança”, pontua.
Segundo Marina, preparar-se para o Enem envolve mais do que dominar o conteúdo. “Você não precisa estar completamente calmo para ir bem. A ansiedade não é um inimigo, é um sinal de que algo importa para você. Confie no percurso que construiu: o conhecimento está em você, mesmo quando o medo tenta te fazer duvidar”, conclui.
Mais do que vencer o nervosismo, a proposta é aprender a conviver com ele. A ansiedade, afinal, também indica que o estudante está diante de algo importante e pronto para colocar em prática o que aprendeu.

