A Black Friday acontece no Brasil nesta sexta-feira (28), alguns estabelecimentos e lojas online, no entanto, já se anteciparam e iniciaram, desde a semana passada, os descontos. A data movimenta consumidores em busca de generosos abatimentos, mas também atrai golpistas que atuam no ambiente digital com técnicas cada vez mais sofisticadas.
Nos últimos anos, a Black Friday tem movimentado bilhões no comércio eletrônico brasileiro, mas também registra aumento expressivo de tentativas de fraude. A expansão do acesso à internet e o crescimento das compras por smartphone ampliaram o cenário para criminosos que exploram o comportamento do consumidor em busca de rapidez e conveniência.
O estrategista digital e professor de Ciência da Computação da Unijorge, Marcos Leite, afirma que a ampliação do acesso à tecnologia intensificou a complexidade dos crimes digitais.
Ele orienta que as pessoas evitem clicar em links enviados por mensagens ou e-mail e nunca forneçam dados confidenciais. Essas informações podem ser usadas em golpes como o phishing, prática que coleta dados pessoais e bancários, incluindo senhas e números de cartões de crédito.
“Os links podem ser utilizados ainda para instalação de vírus ou programas para roubo de informações, para roubo de identidade e para ofertas falsas de produtos que nunca serão entregues”, acrescenta Leite.
Outro risco crescente são os sites espelho, páginas criadas para imitar visualmente lojas reais e que utilizam certificados falsificados. Nessas fraudes, criminosos copiam cores, logos e layouts, além de URLs muito semelhantes, enganando consumidores que verificam apenas a presença do cadeado de segurança.
Também se multiplicam os casos de clonagem de anúncios patrocinados no Google e nas redes sociais, em que páginas fraudulentas aparecem à frente das oficiais. “Muita gente clica achando que é a loja certa e acaba caindo em páginas fraudulentas”, diz o especialista. O uso de deepfakes também tem crescido, com vídeos manipulados por Inteligência Artificial para simular influenciadores ou marcas anunciando promoções inexistentes.
Fraudes com Pix “temporizado” se tornaram frequentes. Golpistas enviam links falsos que geram QR Codes direcionados para contas de criminosos, simulando descontos disponíveis “por tempo limitado”.
Outro golpe comum é o roubo de sessão (session hijacking) por meio de redes Wi-Fi públicas, onde dados podem ser interceptados quando o usuário acessa sites de compras em ambientes como shoppings, ônibus ou restaurantes.
Apesar da sofisticação dos crimes, cuidados simples continuam eficazes. Consumidores devem digitar manualmente o endereço dos sites em vez de clicar em links enviados por terceiros. Também é importante desconfiar de promoções muito abaixo do valor de mercado. Para pagamentos, especialistas recomendam o uso de cartão de crédito virtual, cuja validade é curta e reduz o impacto em caso de vazamento. Além disso, evitar salvar cartões nas plataformas e desconfiar de Pix antecipado em lojas pouco conhecidas são medidas essenciais.
Ativar a autenticação em duas etapas também fortalece a proteção, criando uma camada adicional de segurança. Antes de comprar, é recomendável consultar plataformas como Reclame Aqui, redes sociais e avaliações de outros consumidores, observando relatos de atrasos, falhas no suporte ou produtos que nunca chegaram.
Aumenta o risco no uso do celular
Com a maior parte das compras da Black Friday feitas pelo celular, os riscos se ampliam. Aplicativos falsos nas lojas oficiais, teclados espiões e notificações push manipuladas estão entre as estratégias recentes dos golpistas. Leite reforça que “com atenção e cuidado, é possível aproveitar ótimas promoções”. Ele ressalta que o segredo é evitar agir por impulso. “Verificar, comparar e desconfiar de exageros é o que impede que o consumidor perca dinheiro ou tenha seus dados expostos a golpes ainda mais complexos”.
