domingo, 25 janeiro, 2026

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Bolsa Família: 70% dos adolescentes deixaram o programa em dez anos, aponta estudo

Um estudo apresentado nesta sexta-feira (5), no Rio de Janeiro, pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que 70% dos adolescentes que viviam em lares beneficiários do Bolsa Família em 2014 deixaram de depender do programa até 2025.

Em média, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o Bolsa Família nos últimos 11 anos, independentemente da idade. A saída é ainda maior entre adolescentes: 68,8% no grupo de 11 a 14 anos e 71,25% entre jovens de 15 a 17 anos.

Segundo o ministro Wellington Dias, a mudança está ligada às condicionalidades de saúde e educação. “A condicionalidade na transferência de renda no Bolsa Família relacionada à educação”, afirmou, “é decisiva para romper o ciclo da pobreza”.

Avanço educacional e inserção no mercado formal

O levantamento aponta que 52,67% dos jovens de 15 a 17 anos que recebiam o benefício em 2014 também deixaram o Cadastro Único, que engloba faixas de renda superiores às do programa. Desses, 28,4% possuem emprego com carteira assinada em 2025. Entre os jovens de 11 a 14 anos, 46,95% saíram do CadÚnico e 19,10% já têm vínculo formal.

Para Wellington Dias, os números reforçam a importância de políticas estruturantes. “Significa que a meta da inclusão socioeconômica, trabalhar o desenvolvimento social integrado com o desenvolvimento econômico, está dando resultado”, disse. Ele destacou ainda que as evidências científicas contrariam discursos de que o Bolsa Família desestimula o trabalho. “Temos evidências de que o programa atua estimulando o emprego e a superação da pobreza”.

A projeção para a próxima década segue positiva, com expectativa de aumento na autonomia econômica e redução sustentada da pobreza.

O papel das condicionalidades

O estudo mostra que os melhores resultados aparecem quando a renda é associada ao acesso à educação, serviços públicos e oportunidades locais. As maiores taxas de saída ocorrem em áreas urbanas, lares com melhor infraestrutura, famílias com maior escolaridade e em domicílios onde ao menos um dos pais tinha emprego formal. Mesmo em contextos vulneráveis, mais da metade dos jovens rompeu a dependência do benefício.

Regra de Proteção e Programa Acredita impulsionam transição

Duas políticas recentes reforçam essa mudança:

A Regra de Proteção permite que famílias que superam o limite de renda de R$ 218 por pessoa mantenham 50% do valor do Bolsa Família por até 12 meses, desde que não ultrapassem R$ 706 per capita. Isso evita o retorno imediato à pobreza após a conquista de um emprego formal.

O Programa Acredita oferece qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo e acesso a crédito com juros baixos. Voltado a pessoas de 16 a 65 anos no CadÚnico, prioriza mulheres, jovens, pessoas com deficiência, populações negras e comunidades tradicionais.

Segundo especialistas, os mecanismos complementam o impacto de longo prazo do Bolsa Família ao facilitar a transição contínua para maior autonomia financeira.

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