terça-feira, 27 janeiro, 2026

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Consumo de suplementos alimentares avança no Brasil; uso exige cuidado

O consumo de suplementos alimentares tem crescido de forma contínua no Brasil e já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Suplementos (ABIAD) mostram que, em 2023, esses produtos estavam presentes em 59% das residências brasileiras. Em 2025, entre janeiro e setembro, o consumo aparente do setor cresceu 4,6%, enquanto as importações somaram US$ 854 milhões.

Apesar da alta demanda, especialmente entre atletas e pessoas que buscam objetivos estéticos ou de performance, o mercado de suplementos apresenta um elevado índice de irregularidades. Levantamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que dois em cada três produtos avaliados apresentam problemas, como falhas na composição de ingredientes, doses inadequadas ou informações incorretas de validade.

A professora e especialista em nutrição esportiva, Ana Paula Goulart, alerta para a necessidade de atenção redobrada na escolha desses produtos. Segundo ela, é fundamental verificar se o suplemento possui regularização junto à Anvisa e rotulagem adequada.

O rótulo deve conter a expressão “suplemento alimentar” e apresentar todas as informações obrigatórias, como lista de ingredientes, forma farmacêutica, prazo de validade, lote e identificação do fabricante ou importador. Uma das recomendações é consultar o portal da Anvisa para confirmar se o produto está ativo e regularizado.

“As pessoas devem evitar suplementos com origem duvidosa. Devem dar preferência à compra em lojas especializadas e evitar os que são vendidos em canais pouco confiáveis, para reduzir o risco de adulterações ou contaminações”, destaca a especialista.

Outros indicadores de segurança são selos de qualidade e certificações internacionais, como IFOS, MEG-3 e Creapure, que atestam que o conteúdo informado no rótulo corresponde ao que está presente na cápsula ou no pó, sem contaminação por metais pesados, microrganismos ou substâncias proibidas.

De acordo com Goulart, a escolha do suplemento não deve ser baseada em marketing, promessas ou preço. “Deve haver racionalidade, transparência, orientação profissional e verificação criteriosa das informações. Como nutricionista esportiva, é fundamental orientar os pacientes sobre esses aspectos e priorizar sempre a segurança, além dos resultados”, afirma.

Riscos à saúde

O uso de suplementos adulterados ou irregulares pode trazer riscos graves à saúde, como lesões hepáticas e renais, além de comprometimento do fígado. Isso ocorre porque produtos irregulares podem conter substâncias não declaradas, que sobrecarregam o organismo.

Também há risco de problemas cardiovasculares, como taquicardia, arritmias e hipertensão, além de toxicidade por excesso de vitaminas e minerais, especialmente as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que podem causar efeitos adversos quando consumidas em excesso.

O perigo é ainda maior quando há contaminação por substâncias proibidas ou desconhecidas, como estimulantes, hormônios, drogas ou analgésicos não declarados, elevando o risco de intoxicação, dependência e efeitos imprevisíveis.

“O ideal é que o nutricionista avalie a real necessidade do suplemento, solicite exames laboratoriais prévios, recomende marcas confiáveis e oriente sobre a ingestão correta, evitando a automedicação e o uso indiscriminado”, acrescenta a especialista.

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