terça-feira, 27 janeiro, 2026

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Vacina contra a dengue 100% nacional será ofertada pelo SUS em 2026

O Ministério da Saúde assinou nesta sexta-feira (19) o contrato para a aquisição das primeiras doses da vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante, de dose única e com produção 100% nacional, será ofertado exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2026.

O acordo prevê investimento de R$ 368 milhões para o fornecimento inicial de 3,9 milhões de doses à rede pública. No momento da assinatura, 300 mil doses já estavam embaladas para entrega ao ministério. Esse quantitativo faz parte de um total de 1,3 milhão de doses já fabricadas.

As primeiras doses serão destinadas prioritariamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde que atuam na linha de frente do SUS, como agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares. A estratégia deve começar no fim de janeiro de 2026.

“Hoje é um dia de grande vitória para o Brasil. Como ministro da Saúde, eu não queria encerrar o ano sem firmar este contrato. Este é um dos marcos de um ano de importantes recordes na área da saúde, fruto do trabalho com o Instituto Butantan”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, a assinatura é essencial para garantir a distribuição das vacinas em todo o país.

Padilha destacou ainda que o imunizante foi desenvolvido com base na capacidade técnica e no trabalho conjunto de pesquisadores, trabalhadores e servidores do Instituto Butantan. O registro para produção foi concedido pela Anvisa em 8 de dezembro.

Com a chegada das doses, o Ministério da Saúde adotará uma estratégia para avaliar o impacto da vacina na dinâmica populacional da dengue. Para isso, será realizada uma ação de aceleração da vacinação em dois municípios-piloto: Botucatu (SP) e Maranguape (CE). Nessas cidades, o público-alvo será formado por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. Uma terceira cidade, Nova Lima (MG), poderá ser incluída.

O público prioritário foi definido após reunião técnica com especialistas, conforme recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI). A vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue.

Por ser de dose única e ter esquema vacinal simples, o imunizante facilita a adesão e garante maior eficácia em menos tempo, ampliando a proteção da população. Estudos indicam 74,7% de eficácia contra dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme.

Produção e ampliação da oferta

A ampliação da vacinação da população em geral depende do aumento da produção, viabilizado por uma parceria estratégica entre Brasil e China. A cooperação prevê a transferência da tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines, o que pode elevar a produção em até 30 vezes.

O desenvolvimento da vacina contou com investimento de R$ 130 milhões do BNDES, além de aportes permanentes do Ministério da Saúde, que destina mais de R$ 10 bilhões anuais ao fortalecimento de laboratórios públicos. Com a nova parceria, esse investimento pode chegar a R$ 15 bilhões. No Novo PAC Saúde, estão previstos mais de R$ 1,2 bilhão para a ampliação da capacidade produtiva do Butantan.

Atualmente, o SUS também oferece a vacina contra a dengue do laboratório japonês, aplicada em duas doses em adolescentes de 10 a 14 anos. Desde a incorporação, em 2024, 7,4 milhões de doses já foram aplicadas.

Cenário epidemiológico

Em 2025, o Brasil registrou redução de 75% nos casos prováveis de dengue e de 72% nos óbitos em comparação com 2024. Apesar da queda, o Ministério da Saúde reforça que o combate ao Aedes aegypti e as ações de prevenção seguem sendo fundamentais.

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