Da Redação
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado uma ação militar dos Estados Unidos, na madrugada deste sábado (03), é acusado pelo governo norte-americano de “conspiração narcoterrorista” e outros três crimes, segundo indiciamento do Tribunal do Distrito Sul de Nova York. O ditador venezuelano foi apreendido junto à esposa, Cilia Flores.
De acordo com o site UOL, no processo, o Ministério Público norte-americano apresentou quatro acusações formais contra Maduro e outros cinco investigados por crimes ligados ao narcoterrorismo. Além do líder venezuelano, foram indiciados a esposa de Maduro, o filho do casal, Nicolás Maduro Guerra, o “Nicolasito”, o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado pelo governo dos EUA como líder do grupo criminoso Tren de Aragua.
O documento afirma que o grupo teria utilizado a Venezuela como plataforma para o tráfico internacional de drogas. “Por mais de 25 anos, os líderes da Venezuela abusaram de seus cargos de confiança pública e corromperam instituições antes legítimas para importar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, diz a ação assinada pelo procurador Jay Clayton e divulgada pelo Departamento de Justiça norte-americano, sem data especificada.
De acordo com o site, apesar das acusações, o indiciamento não apresenta provas ou indícios materiais dos crimes alegados. O texto registra apenas acusações que vinculam Maduro, familiares e aliados a uma suposta conspiração narcoterrorista internacional que teria beneficiado a família do presidente e organizações criminosas.
“Nicolás Maduro Moros, o réu, está na vanguarda dessa corrupção. (…) Desde seus primeiros dias no governo venezuelano, Maduro manchou todos os cargos públicos que ocupou (…), permitindo que a corrupção alimentada pela cocaína florescesse para seu próprio benefício”, afirma um trecho do indiciamento.
As acusações formais
A primeira acusação trata de “conspiração narcoterrorista”, na qual o procurador sustenta que Maduro, Cabello e Rodríguez Chacín teriam conspirado para traficar grandes quantidades de cocaína para os Estados Unidos em parceria com organizações como as FARC e o Tren de Aragua.
A segunda acusação é de “conspiração para importação de cocaína” e envolve os seis indiciados, incluindo a esposa e o filho de Maduro. Segundo o documento, o grupo teria planejado e participado de um esquema internacional de produção, transporte e envio de cocaína aos EUA, utilizando a Venezuela como rota protegida.
O indiciamento também aponta posse e uso de metralhadoras e dispositivos destrutivos, além de conspiração para posse desses armamentos, que teriam sido utilizados para garantir o funcionamento do suposto esquema criminoso.
Caso sejam condenados, os réus poderão ser obrigados a entregar bens ligados direta ou indiretamente aos crimes descritos. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que “em breve, eles enfrentarão toda a severidade da justiça americana em solo americano”, mas não informou quando o julgamento ocorrerá nem apresentou provas adicionais.
Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou Maduro de “levar drogas aos EUA” e de ser o “chefe do Cartel de Los Soles”, afirmações também feitas sem apresentação de evidências e negadas pelo governo venezuelano.
Reação do governo venezuelano
Aliados de Maduro classificaram a operação como um “ataque covarde”. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil Pinto, acusou os Estados Unidos de realizarem bombardeios em regiões civis e militares do país, resultando em mortes, sem informar números.
Segundo o chanceler, a motivação do ataque seria o interesse dos EUA nos recursos naturais venezuelanos. “Hoje, nosso país se levanta em defesa de sua soberania e da paz. Estamos decididos a derrotá-los”, escreveu.
Em pronunciamento, a vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu a libertação imediata de Maduro e da primeira-dama. “Único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro”, declarou, acrescentando que o país “nunca mais será colônia de nenhum império”
