domingo, 25 janeiro, 2026

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Donald Trump diz que Delcy Rodríguez pagará “preço maior se não fizer o certo”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá pagar “um preço muito alto” caso não “faça o que é certo”. Segundo ele, esse custo pode ser “provavelmente maior que o de Nicolás Maduro”, capturado pelas forças norte-americanas e levado para os Estados Unidos. A informação é do site UOL.

As declarações foram dadas em entrevista à revista The Atlantic, um dia após a prisão de Maduro, que passou a noite detido no Centro de Detenção do Brooklyn, em Nova York. De acordo com a publicação, Trump deixou claro que não tolerará o que classificou como “rejeição desafiadora de Rodríguez” à intervenção dos EUA no país sul-americano.

Segundo informações divulgadas pela revista, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina, conforme declaração do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López. A Suprema Corte venezuelana também determinou que ela assuma o comando do país.

Na véspera, Rodríguez afirmou que Nicolás Maduro é o único presidente legítimo da Venezuela, exigiu a libertação imediata dele e da esposa e declarou que o país “nunca mais será colônia de nenhum império”.

Trump afirmou ainda que a Venezuela pode não ser o último país alvo de uma intervenção americana. “Precisamos da Groenlândia, com certeza”, declarou o presidente à The Atlantic.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano irá trabalhar com lideranças venezuelanas a depender de suas decisões. “Vamos fazer nossas avaliações das pessoas”, disse em entrevista à CBS News. “Se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção de nossos interesses”, acrescentou, referindo-se a Delcy Rodríguez e à líder da oposição, María Corina Machado.

Rubio também afirmou que o governo Trump “não conseguia trabalhar” com Maduro. “Simplesmente não conseguíamos trabalhar com ele. Ele nunca cumpriu nenhum dos acordos que fez. E nós lhe oferecemos, em diversas ocasiões, a oportunidade de se afastar de forma positiva. Ele optou por não fazê-lo — e agora está em Nova York”, declarou.

Trump disse que irá comandar o país até que ocorra uma “transição apropriada”. O presidente norte-americano não detalhou como o processo será conduzido, mas adiantou que “um grupo” ficará responsável pela administração local e que empresas dos Estados Unidos assumirão o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.

O republicano afirmou ainda que Delcy Rodríguez teria se mostrado “disposta a fazer o que considerarmos necessário para que isso funcione”. Após os ataques e a captura de Maduro, no entanto, a vice-presidente declarou que o governo venezuelano está “pronto para defender a Venezuela” e seus recursos naturais, “que devem ser para o desenvolvimento nacional”.

Explosões e sobrevoos de aviões foram registrados na capital venezuelana e em outros três estados nas primeiras horas de sábado. Jornalistas que atuam em Caracas relataram fortes bombardeios durante a madrugada.

Segundo Trump, Maduro e a esposa foram detidos em “questão de segundos”, sem tempo de reação. Em entrevista ao canal Fox News, o presidente dos EUA disse que acompanhou a operação de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, e que “foi como assistir a um programa de TV”.

Ainda de acordo com Trump, o venezuelano tentou “chegar a um lugar seguro”, mas não conseguiu. “Ele chegou à porta, mas não conseguiu fechá-la”, declarou.

Pouco antes de falar com a imprensa, Trump publicou uma foto de Nicolás Maduro que teria sido tirada após a prisão. Na imagem, o venezuelano aparece usando óculos e abafadores de ruído, segurando uma garrafa, dentro do navio norte-americano USS Iwo Jima. Antes disso, Delcy Rodríguez havia pedido uma prova de vida do casal, após denunciar o ataque.

De acordo com o The New York Times, o ataque deixou ao menos 80 mortos. A informação foi repassada ao jornal por um alto funcionário venezuelano, que falou sob condição de anonimato. Segundo ele, o número de vítimas ainda pode aumentar.

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