Da Redação
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofreu uma queda ao caminhar dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal, onde está preso, e passou por exames médicos que descartaram lesão intracraniana. Segundo a equipe médica, há suspeita de que novos medicamentos possam estar provocando tontura, o que pode ter contribuído para o episódio.
O cardiologista Brasil Caiado, um dos médicos que acompanham Bolsonaro, afirmou que a queda não ocorreu da cama. “Não foi apenas uma queda da cama […] Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto. Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa”, explicou. A informação é do site UOL.
De acordo com Caiado, sintomas como tontura, desequilíbrio e oscilação da memória chamaram a atenção da equipe médica nos últimos dias. “O que me chama atenção desde ontem ou há dois ou três dias são esses quadros: tontura, desequilíbrio e oscilação da memória. Penso, neste momento, que temos que fazer um acompanhamento juntos, compartilhado”, disse.
Há a suspeita de que os sintomas estejam relacionados aos efeitos de novas medicações prescritas após procedimentos realizados no fim do ano. Segundo o médico, será necessário avaliar se a retirada dos remédios poderia colocar Bolsonaro em uma condição “degradante” de crises de soluço.
Os exames realizados apontaram lesões leves. “Em relação aos exames feitos hoje, observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando um traumatismo craniano leve”, afirmou Caiado. No dia anterior, o médico Claudio Birolini já havia informado que Bolsonaro sofreu um “traumatismo cranioencefálico leve”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a ida do ex-presidente ao hospital após a queda. Relatório da Polícia Federal encaminhado ao ministro informou que Bolsonaro estava orientado e sem sinais de déficit neurológico.
Em entrevista anterior, Claudio Birolini alertou que as quedas são a principal preocupação da equipe médica, especialmente devido à idade do ex-presidente, de 70 anos. “Alertamos quanto a esse risco [de queda]”, disse ao UOL.
Essa foi a segunda saída de Bolsonaro desde que foi preso, em novembro. Na véspera do Natal, ele foi internado para cirurgia de hérnia inguinal bilateral e procedimentos para tratar crises de soluço, recebendo alta no dia 1º. Nesta semana, ele recebeu a primeira visita de 2026, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Queda e atendimento
Inicialmente, Alexandre de Moraes afirmou que não havia “necessidade alguma” de ida imediata ao hospital. A equipe médica havia solicitado a realização de tomografia e ressonância magnética do crânio, além de um eletroencefalograma.
Bolsonaro não acionou o protocolo de emergência da PF após a queda e permaneceu no quarto durante a madrugada. A lesão foi identificada apenas pela manhã, durante a checagem diária dos policiais penais, que notaram um arranhão na testa do ex-presidente. Mesmo sem solicitação, a equipe médica da PF foi acionada, procedimento considerado padrão. Nada grave foi constatado, sendo recomendada apenas observação. Michelle Bolsonaro foi a primeira a tornar o episódio público.
