Por João Roberto Resende Fernandes – Agência Einstein
As espinhas surgem quando os poros da pele ficam obstruídos por uma mistura de oleosidade natural e células mortas. Esse bloqueio cria um ambiente propício à inflamação, que pode resultar em cravos, espinhas vermelhas, lesões com pus ou até nódulos mais persistentes, caracterizando um quadro de acne.
Embora sejam mais comuns na adolescência, as espinhas podem surgir em qualquer fase da vida. Alterações hormonais, uso de certos cosméticos ou medicamentos e até momentos de estresse são exemplos de situações que podem desencadear surtos ou piorar quadros já existentes.
Como o processo começa
O que chamamos de espinha geralmente se inicia de forma discreta. A pele passa a produzir mais oleosidade do que o necessário e, ao mesmo tempo, as células mortas deixam de ser eliminadas de maneira eficiente. Quando esses elementos se acumulam dentro do poro, ocorre a obstrução.
Desse processo surgem os cravos, que podem ser brancos ou escuros. Se houver inflamação — algo relativamente comum — o poro se torna um ambiente favorável à proliferação de bactérias que já vivem na pele, intensificando a irritação e dando origem às espinhas vermelhas e doloridas.
Fatores causais
As oscilações hormonais têm grande influência no desenvolvimento da acne. Durante a adolescência, os hormônios aumentam a produção de oleosidade, o que explica a alta frequência do problema nessa fase da vida.
Na vida adulta, especialmente entre as mulheres, variações ao longo do ciclo menstrual, gravidez , uso ou suspensão de anticoncepcionais e distúrbios hormonais podem provocar períodos de maior sensibilidade da pele.
A herança genética também exerce papel importante. Pessoas cujos pais tiveram acne têm maior probabilidade de desenvolver o mesmo quadro. Além disso, fatores externos podem agravar o problema, como uso frequente de capacete, boné e máscara, excesso de maquiagem, estresse , contato constante das mãos com o rosto e exposição a ambientes quentes e úmidos.
Cuidado Profissional
Identificar a acne costuma ser simples, mas compreender suas causas nem sempre é. Por isso, é importante procurar um dermatologista quando as espinhas são frequentes, dolorosas, deixam marcas ou surgem de forma repentina na vida adulta.
Durante a consulta, o médico avalia o tipo de lesão, os hábitos, os produtos utilizados no dia a dia e possíveis fatores hormonais antes de definir o tratamento, que varia conforme a gravidade do quadro.
Casos leves geralmente respondem bem a produtos de venda livre, como sabonetes específicos, ácidos suaves e substâncias que ajudam a controlar a oleosidade. Já quadros moderados ou graves podem exigir medicamentos prescritos, como tratamentos tópicos anti-inflamatórios, antibióticos tópicos ou orais e terapias hormonais.
Prevenção diária
Manter uma rotina simples e consistente de cuidados com a pele ajuda a controlar quadros leves de acne. Lavar o rosto duas vezes ao dia costuma ser suficiente — lavagens excessivas podem ressecar a pele e piorar a inflamação.
Evitar tocar o rosto, usar cosméticos adequados ao tipo de pele, remover a maquiagem antes de dormir e manter objetos como celular e fronha limpos são medidas básicas que fazem diferença. Para quem usa cabelo longo ou franja, mantê-los limpos e afastados do rosto também ajuda.
Por fim, vale lembrar que soluções caseiras populares, como compressas mornas, gelo, chá-verde ou óleos, não tratam a causa da acne. Espremer espinhas, apesar de tentador, agrava a inflamação, aumenta o risco de manchas e cicatrizes e deve sempre ser evitado.
