domingo, 15 fevereiro, 2026

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Agente da Transalvador se torna a primeira mulher na escolta de motos

Da Redação

Agente da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), Isabel Tinel é a primeira e, até o momento, única mulher a integrar o Grupo de Ações Rápidas no Trânsito (GART), composto por 22 profissionais. A atuação dela se divide entre o patrulhamento e a escolta de autoridades pelas ruas da capital baiana.

No patrulhamento, o foco é identificar situações que possam comprometer a fluidez do tráfego. Já na escolta, Isabel precisa colocar em prática agilidade e precisão, já que, em determinados momentos, a alta velocidade sobre duas rodas é necessária para organizar o trânsito e garantir que autoridades cheguem pontualmente aos compromissos oficiais.

Como o tráfego urbano é imprevisível, a agente também atua no gerenciamento de imprevistos, como acidentes, e na definição de rotas alternativas quando necessário. A função de escolta é recente em sua trajetória profissional dentro da Transalvador.

Antes, Isabel atuava exclusivamente no patrulhamento. Para ingressar na nova função, passou por cerca de três meses de treinamentos específicos e, somente no início deste ano, passou a integrar o seleto grupo responsável pelas escoltas oficiais.

“É algo novo para mim. A escolta é um grupo pequeno e bastante fechado e eu buscava participar há algum tempo. Fiz muitos treinamentos, tanto com a moto de patrulhamento, que é uma 300 cilindradas, quanto com a de escolta, que é uma 750, bem maior”, explicou. “São motos completamente diferentes, com manuseio e exigências distintas, então, precisei de treinamento específico para atuar nas duas funções”, completou.

A primeira atuação como escolta ocorreu durante a Lavagem do Bonfim deste ano. Isabel ficou responsável por garantir que as autoridades chegassem com segurança e sem atrasos à Colina Sagrada. Segundo ela, o nervosismo fez parte da experiência.

“Fiquei muito ansiosa. No dia anterior, quase não consegui dormir, porque o trabalho era cedo e eu tinha medo de perder o horário e comprometer a operação. Cheguei bastante nervosa, querendo dar o meu melhor. Foi tudo muito dinâmico e interessante”, relembrou.

Trajetória
Isabel está na Transalvador há cinco anos. Quando tomou posse no órgão, possuía apenas habilitação para carro. A habilitação para moto veio depois, junto com uma rotina disciplinada de treinos paralelos ao trabalho.

“Sempre gostei de moto, mas nunca tinha tirado a habilitação. Quando completei 18 anos, minha mãe não deixou, dizia que era perigoso. Acabei adiando”, contou. “Quando cheguei à Transalvador, me encantei pelo trabalho da escolta. Aqui, historicamente, só houve uma mulher motociclista e há muito tempo”, acrescentou.

Segundo a agente, o incentivo dos colegas foi decisivo para a escolha profissional. “As pessoas começaram a me incentivar. Quando conheci a escolta, foi o que realmente me motivou. Pensei: por que não quebrar essas barreiras e abrir espaço para mulheres nesse tipo de trabalho?”, afirmou.

Isabel explica que a missão do agente de trânsito é garantir direitos e segurança para toda a população, mesmo quando isso gera conflitos. “Nosso trabalho é complexo. Como servidor público, nosso objetivo é servir à população como um todo. Já o cidadão, muitas vezes, pensa apenas em si”, disse.

“Quando estamos fiscalizando e indo contra o que a pessoa deseja, acabamos ouvindo críticas. Mas quando conseguimos ajudar, escutamos elogios”, relatou. Ela destaca ainda que o apoio dentro da instituição tem sido fundamental para sua trajetória.

“Entre os colegas, o retorno é muito positivo. Foram eles que me incentivaram a tirar a habilitação. Como mulher, recebo muitos elogios. É difícil ver mulheres na motocicleta, ainda mais com agilidade no trânsito. A maioria dos motociclistas ainda é composta por homens, mas as mulheres estão se inserindo cada vez mais”, concluiu.

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