Da Redação
Após críticas nas redes sociais, a dançarina e cantora Carla Perez publicou, nesta segunda-feira (16), uma nota de desculpas por um vídeo gravado durante o bloco infantil Algodão Doce, no circuito Osmar, em Salvador, no qual aparece sendo carregada por um segurança.
As imagens foram registradas no último domingo (15), durante apresentação no circuito Osmar (Campo Grande), em Salvador. O evento marcou o encerramento do comando da artista à frente do bloco após mais de 20 anos.
No vídeo, Carla aparece nos ombros de um segurança negro, enquanto segura um celular, se emociona com uma música gospel que tocava no momento e cumprimenta o público.
Na nota divulgada, a artista afirmou que seu objetivo era manter contato mais próximo com os fãs e, por isso, subiu nos ombros do trabalhador. “A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica”, escreveu.
Entre as críticas, a influenciadora e acadêmica Carla Akotirene afirmou ter deixado de celebrar o Carnaval neste ano por não se sentir “à vontade de lidar com pretos nesta situação”.
“Acríticos dirão que o trabalhador não está sendo forçado a carregar a loira; outros dirão que ela é parda, como se o colorismo fosse irrelevante nas dinâmicas raciais. Minha xará, Carla, ganhou muito dinheiro dançando axé e sabe que, neste caso, ela ‘nasceu pra ser cabeça e o pobre preto calda’”, escreveu Akotirene.
A professora e escritora Bárbara Carine também comentou o vídeo, afirmando que as imagens geram desconforto em pessoas negras. “Eu vou nomear esse desconforto: ele é proveniente de uma imagem de subalternidade que foi historicamente construída para pessoas negras a partir da lógica escravocrata”, explicou.
Carla Perez reiterou o pedido de desculpas e afirmou reconhecer o erro. “Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas. Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural”, declarou.
O episódio gerou amplo debate nas redes sociais sobre representações simbólicas, relações raciais e o papel de figuras públicas em eventos de grande visibilidade como o Carnaval de Salvador.

