Da Redação
Mudanças nos dentes podem ser o primeiro alerta de que algo não vai bem no organismo. Alterações na cor, no esmalte, na gengiva, na sensibilidade ou até no hálito podem indicar desequilíbrios que vão além da boca. O alerta é de Sergio Lago, implantodontista, doutor em periodontia.
“A boca é uma janela do organismo. Muitos problemas sistêmicos começam a se manifestar ali, discretamente, antes de aparecerem de forma mais evidente”, afirma o especialista.
Ele reforça que qualquer alteração deve motivar uma avaliação profissional. “A recomendação é procurar o dentista, sem demora”, explica.
Sensibilidade pode indicar desequilíbrio
A sensibilidade dentária costuma surgir quando a camada protetora do dente é comprometida. Entre as causas estão desgaste do esmalte, retração gengival, escovação abrasiva, uso de produtos agressivos e bruxismo.
Também pode estar associada a refluxo ácido ou queda de imunidade, que altera o pH bucal e expõe a dentina. “Quando este sintoma aparece e persiste, o corpo está avisando que existe um desequilíbrio. Ignorar esse sinal pode permitir a evolução do problema”, alerta o Dr. Sergio.
Sinais de anemia e diabetes aparecem na boca
Algumas doenças sistêmicas deixam marcas claras nos tecidos orais. A anemia pode provocar palidez na mucosa, língua lisa e fissuras nos cantos da boca.
Já o diabetes descompensado favorece inflamações gengivais, dificulta a cicatrização e intensifica a perda óssea. “Pacientes com diabetes não controlada têm maior propensão à inflamação gengival e à perda de dentes. A boca costuma refletir claramente esse estado”, afirma.
Desgaste e fraturas não são normais
Dentes que lascam ou quebram com frequência indicam sobrecarga. As causas mais comuns incluem bruxismo, má oclusão, consumo excessivo de alimentos e bebidas ácidas, refluxo gastroesofágico e o hábito de usar os dentes como ferramenta.
“Nenhum dente saudável deveria quebrar repetidamente. Na maioria dos casos, há uma força excessiva, muitas vezes noturna, que o paciente sequer percebe”, explica o especialista.
Mau hálito pode ir além da higiene
A halitose persistente nem sempre está ligada à escovação inadequada. Pode indicar gengivite, periodontite, acúmulo de placa, boca seca causada por medicamentos, respiração bucal, alterações digestivas e até diabetes descompensada.
“O mau hálito é um marcador importante. Ele mostra que há algo desalinhado, seja na boca, no sistema digestivo ou no metabolismo”, afirma.
Gengivas e língua também dão sinais
Inflamação e sangramento gengival podem indicar acúmulo de placa, alterações hormonais, estresse elevado, respiração bucal ou diabetes não controlada. A retração gengival, por sua vez, pode ser consequência de escovação agressiva, bruxismo, perda óssea ou má posição dentária.
“A saúde gengival é essencial. Uma gengiva inflamada não é apenas um incômodo. É um indicador de que existe um processo inflamatório ativo acontecendo, que precisa ser tratado, para evitar consequências maiores”, destaca.
Alterações na língua também merecem atenção. Camada esbranquiçada persistente pode indicar boca seca, má digestão, respiração bucal ou baixa imunidade. Já áreas lisas, avermelhadas ou sensíveis podem sugerir deficiência de vitaminas do complexo B ou anemia.
O exame clínico regular é fundamental para identificar esses sinais precocemente e evitar complicações. A recomendação dos especialistas é manter acompanhamento periódico e atenção redobrada a qualquer mudança.

