segunda-feira, 15 abril, 2024

EXPEDIENTE | CONTATO

A Bahia não está conseguindo atacar a pobreza, diz supervisora do IBGE

No estado, em 2022, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas viviam com uma renda inferior a R$ 200, segundo instituto

A supervisora do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Mariana Viveiros, disse que a Bahia não tem conseguido reduzir a situação de extrema pobreza nos últimos anos.

Na Bahia, em 2022, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas viviam com uma renda inferior a R$ 200, o que corresponde a 11% da população, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/IBGE). Além disso, cerca de 7,5 milhões de baianos estavam abaixo da linha da pobreza, representando 50,5% da população do estado. A Bahia também se destaca como o segundo estado do Brasil com maior número de pessoas vivendo com uma renda inferior a R$ 637.

“Quando a gente olha nos últimos 10 anos, não é possível ver um movimento consistente de redução dessa proporção. O estado não está conseguindo atacar de fato esse problema”, afirmou Mariana Viveiros ao CORREIO.

Segundo ela, o desemprego e o baixo rendimento de trabalho estão entre os principais responsáveis pelos números. “Cerca de 60% a 70% da renda é proveniente do trabalho. A Bahia está entre os menores rendimentos de trabalho do país e isso reflete em metade da população vivendo abaixo da linha de pobreza”, analisou.

Apesar deste alto índice de pobreza, o governo da Bahia deixou de aplicar no ano passado R$ 270 milhões para combater a fome. O recurso estava disponível no Fundo de Combate à Pobreza (Funcep). De acordo com o relatório do Transparência Bahia, o fundo arrecadou uma receita de R$ 979 milhões, mas a aplicação ficou em R$ 702 milhões.

Nesta quarta-feira (7), quando questionado pela imprensa por que o dinheiro não foi usado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) disse apenas que a sua gestão investiu mais recursos no ano passado que os governos anteriores de Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT.

“Vamos fazer uma avaliação entre o que está no meu programa de governo e o que foi o ano de 2023. Na execução financeira, nós extrapolamos todos, inclusive, os meus antecessores Rui e Wagner no que diz respeito a investimentos. Nós temos uma parceria muito forte com o presidente Lula. E o presidente Lula aportou recursos para o Bolsa Família, por exemplo”, declarou.

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), criticou Jerônimo por não investir todo o recurso. “A gente constata que dinheiro existe, mas falta competência”, ressaltou.

*Sob orientação do editor Rodrigo Daniel Silva

Arquivos