quarta-feira, 4 março, 2026

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Advogado acusa juiz de racismo religioso após retirada de foto do Fórum de Camaçari

Da Redação

A retirada da foto de uma chefe de cozinha negra do Fórum de Camaçari desencadeou denúncia de racismo religioso e colocou o Tribunal de Justiça da Bahia no centro da polêmica. A decisão foi motivada por um ofício judicial que alegou que a imagem estaria “vinculada à religião de matriz africana” e, por isso, não deveria permanecer em espaço público.

A acusação foi feita pelo advogado Marinho Soares e se baseia em um ofício assinado no dia 20 de fevereiro pelo juiz César Augusto Borges de Andrade. No documento, o magistrado sugeriu a retirada de uma fotografia da exposição montada no térreo do prédio. A informação é do site Bnews.

De acordo com o ofício obtido pelo site, o juiz alegou que a imagem retratava uma personagem “vinculada à religião de matriz africana” e, por isso, não deveria permanecer no espaço público.

No texto, o magistrado justificou que “o procedimento não me parece condizente nas instalações deste prédio público, onde circulam partes, advogados e servidores que professam diferentes matrizes religiosas, considerando que a Constituição Federal estabelecem que o Estado é laico, portanto, para a devida igualdade de tratamento entre as diferentes crenças pelos entes públicos”.

Ainda conforme o documento, foi sugerida a “retirada da referida exposição fotográfica no espaço público deste Fórum de Camaçari ou, alternativamente, que o espaço seja destinado também a outros fotógrafos domiciliados na comarca, vinculados a diferentes matrizes religiosas”.

No dia 25 de fevereiro, o diretor do fórum, juiz José Francisco de Oliveira de Almeida, determinou a retirada provisória do quadro. Também ordenou a constituição de autos administrativos junto à Administração do Fórum e o envio de consulta à unidade patrimonial do Tribunal de Justiça da Bahia para averiguar normas procedimentais.

Denúncia de racismo religioso

Marinho classificou o pedido como “revoltante” e acusou o juiz de praticar racismo religioso. “Esse juiz é preconceituoso. Ele só enxergou religião de matriz africana, mas ignorou que ao lado havia a foto de uma mulher negra carregando um Santo Antônio. Isso é racismo religioso”, afirmou.

Ele declarou ainda esperar providências por parte do Tribunal. “Ele é racista e eu que tô falando! O que ele pratica é racismo religioso. Vergonha, doutor!”, concluiu.

Quem é a chefe de cozinha

A fotografia retrata Solange Borges, chef de cozinha, educadora e empreendedora social. Ela é idealizadora do projeto Culinária de Terreiro, desenvolvido em Camaçari (Agrovila Pinhão Manso), com reconhecimento internacional.

Solange é iniciada no Candomblé, atua como cozinheira ritualística (Iaô) e utiliza a gastronomia como ferramenta de valorização da ancestralidade afro-brasileira.

A outra imagem mencionada pelo advogado, também exposta no local, é de Dona Jandira, reconhecida como a mais antiga rezadeira de Santo Antônio em Camaçari e avó do cantor O Kanalha.

A reportagem do Bahia Municípios entrou em conato com o Tribunal de Justiça da Bahia para saber o posioconamento do órgão e do magistrado César Augusto Borges de Andrade, mas, até o momento, não houve um posicionamento. O espaço segue aberto.

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