Nelson leal (PP) conta com apoio do vice-governador joão leão e sai na frente em disputa pela presidência da Alba.
As articulações para decidir quem será o substituto de Ângelo Coronel (PSD) na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia ganham novos contornos. Agora, chega a informação à Tribuna de que o PT, PSD e PSB estariam costurando um “acordo de cavalheiros” para lançar um nome único para o posto e enfrentar a força que Nelson Leal (PP) conseguiu construir ao longo dos últimos dias.
O deputado estadual pepista atualmente enfrenta as pré-candidaturas de Adolfo Menezes (PSD), Rosemberg Pinto (PT) e Alex Lima (PSB) do lado governista. O tucano Adolfo Viana, por outro lado, estuda ser lançado pela oposição.
Os cálculos mostram que Leal já teria pelo menos 17 votos garantidos, contando com os apoios do PCdoB, PDT, PRP e do próprio PP. Ao todo, a Alba conta com 63 deputados. Se conseguir os votos da oposição, ele praticamente garante a eleição. Não é a toa que ele e Viana passaram a última semana pendurados no telefone atrás da oposição da Casa.
Os dois, inclusive, já procuraram Sandro Régis e Targino Machado, ambos do DEM. O vice-governador João Leão (PP) também se empenha pessoalmente nas articulações. Os oposicionistas já avaliam que Leal é seria o nome menos ligado diretamente ao Palácio de Ondina, o que daria mais independência para a Casa.
Preocupado, o governador Rui Costa (PT) convocou uma reunião de emergência com os principais líderes da base. Até o fechamento da matéria, o encontro estava previsto para esta segunda-feira.
“A tendência é que, com a perspectiva de poder, os deputados comecem a ‘colar’ em quem está na frente”, afirma um parlamentar. O presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, nega que haja articulações no sentido de uma candidatura única. “Isso não procede. Não existe nenhum debate no PT nesse segmento”, afirma à Tribuna. “Rosemberg Pinto foi o único nome do PT que se colocou à disposição para se candidatar. A tendência é que isso seja ratificado na bancada”, completa.
O petista também afirma que a candidatura de Leal é legítima, mas pede que ele tenha “cuidado ao construir as alianças para não entrar em clima de disputa acirrada”.
O senador Otto Alencar, presidente do PSD, afirmou que não “fulaniza” as candidaturas e que não tem nada contra Nelson Leal, mas que é contra a maneira como o PP está conduzindo as negociações. “Não estou falando em nomes. Nunca falei em nomes. Estou falando que a sucessão na Alba, se não passar por uma conversa com o atual presidente e o governador está atropelando as coisas”, critica.
A senadora Lídice da Mata, presidente do PSB, também defende a mesma tese. “Acho apenas que não se pode esperar que o governador saia do Estado, para uma viagem internacional de busca de investimento, e se faça uma verdadeira movimentação no sentido de apresentar ao governador um fato consumado de uma candidatura onde ele não possa dar opinião. Isso não existe em uma base aliada. Isso é comportamento de oposição”.
Para ela, a candidatura única é o melhor caminho. “Acho que a base deve ter uma candidatura só. Se o governador resolver liderar, vamos debater essa questão. O PSB não decidiu nada. O PSB aguarda a presença do governador, reconhecendo ser ele o líder de um processo de debates na base. Não posso achar que o governador vai achar interessante, agora, que a base se divida e busque na oposição a maioria para governar a Assembleia Legislativa”, alfineta a senadora.

