sábado, 25 maio, 2024

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Aleluia: “As Cortes brasileiras estão se expondo muito”

José Carlos Aleluia adotou um discurso moderado ao comenta decisão do STF

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM) evitou tecer comentários estridentes sobre o resultado parcial do julgamento de Lula. O parlamentar baiano, que outrora fazia duras críticas aos membros do PT, continua adotando um discurso mais moderado a respeito do assunto. “Eu tenho por hábito respeitar o julgamento das Cortes. Acho, inclusive, que as Cortes brasileiras estão se expondo muito em comparação com as de países desenvolvidos. Isso acaba promovendo quase que uma torcida partidária dentro das Cortes, o que não é bom. O papel deles é interpretar a Constituição. Acho que os dois lados mostraram argumentos e visões distintas da Constituição”, afirmou à Tribuna. “Não sou torcedor pelo encarceramento de ninguém. Não torço para que A ou B sejam encarcerados, não sou dessa turma. Tenho divergências políticas irreconciliáveis com o partido do acusado. Sou um defensor da Constituição. O poder do juiz está em definir conforme a interpretação que fazem da Constituição. Não tenho nenhuma objeção ao resultado. Que a decisão seja tecnicamente a melhor”.

Indagado se Lula teve algum tratamento especial com o “habeas corpus temporário” até o dia 4 de abril, Aleluia analisou: “Não diria que é especial, mas não há dúvida que se trata de um ex-presidente. Tem que respeitar o direito dele, mas isso não significa que ele não vá cumprir pena. Mas ele é o ex-presidente”. A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em entrevista à rádio Jovem Pan ontem, disse que Lula não teve tratamento especial no julgamento relativo ao seu pedido de habeas corpus preventivo. “Era uma circunstância que se impôs diante de um horário e das condições dos juízes para que, se houvesse uma continuidade e se alongassem demasiadamente, isso sobrecarregaria provavelmente com consequências até pela capacidade física, e teria que ter continuidade na próxima sessão para que o julgamento seja justo, sereno, tranquilo, como tem de ser”, declarou a ministra.

Para a presidente do Supremo, Lula merece tratamento “digno e respeitoso”, como qualquer cidadão: “Acho que o ex-presidente Lula tem que ter o mesmo tratamento digno e respeitoso pela Justiça brasileira que deve ser dado a todo e qualquer cidadão. Nem alguém pode ser considerado diferente por ser mais rico ou mais pobre, mais importante ou menos importante, ser líder ou ser um trabalhador. Isso não tem e não pode ter importância”.

Fonte: Henrique Brinco
Foto: Divulgação

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