quarta-feira, 28 fevereiro, 2024

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Aliados e opositores se unem contra decisão da Petrobras

Lídice da Mata disse que a medida deve gerar um efeito devastador na economia nordestina

Parlamentares baianos se manifestaram em Plenário sobre a decisão da Petrobras de desativar a FAFEN. A senadora Lídice da Mata (PSB) disse que a medida deve gerar um efeito devastador na economia nordestina. “Eles alegam economia de recursos, mas gastaram mais de R$ 100 milhões em publicidade para tentar aprovar uma reforma que sequer foi submetida a votação, jogando dinheiro público no ralo”.  Para a socialista, o impacto econômico e social desta resolução serão o desemprego e o fechamento de outras fábricas que estão no entorno da FAFEN, que em território baiano está instalada no Polo Industrial de Camaçari há mais de 45 anos. “Enquanto os governos de Lula e Dilma estavam ampliando a produção e o parque industrial de fertilizantes pelo País, esse governo vem, por meio de Pedro Parente [presidente da Petrobras], promover uma política ultraliberal e entreguista”, assinalou.

A líder do PSB no Senado foi aparteada pelo colega de bancada Otto Alencar (PSD). Ele afirmou que o fechamento da FAFEN levará o Nordeste a uma dependência de importação de componentes para fertilizantes que abastecem a agroindústria. “Esse governo está entregando todos os ativos importantes para a iniciativa privada, com uma desculpa esfarrapada de prejuízo sem comprovar nada. Isso é uma discriminação contra o Nordeste”, denunciou. Na Câmara, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) também denunciou o caso. Segundo a Petrobras, haverá “hibernação” das duas unidades. Alice afirma que esta “hibernação” consiste na parada progressiva da produção, com conservação dos equipamentos e prevenção de impactos ambientais, que deve ser iniciada até o fim do primeiro semestre, e representa mais um passo na estratégia da petroleira estatal de deixar o setor de fertilizantes.

Oposicionistas baianos também se manifestaram sobre o caso. “Gostaria de registrar a nossa apreensão e preocupação com a notícia dando conta do fechamento da Fafen”, disse o deputado federal Paulo Azi (DEM). “Recebi mensagens de vários municípios apreensivos com essa decisão. É importante que o presidente da Petrobras venha a público trazer as razões que levaram ele a tomar essa intempestiva indecisão”.

O prefeito de Camaçari, Antônio Elinaldo (DEM), mantém no Rio de Janeiro conversas com a estatal. Ele já se reuniu com o diretor-executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, bem como com gerentes comerciais e operacionais, ficando acertado que será agendada uma nova rodada de conversas envolvendo ainda outros representantes da estatal e dos governos estaduais da Bahia e de Sergipe. “Estamos na expectativa de um possível adiamento da decisão do fechamento da Fafen, inicialmente prevista para o mês de junho. Não vamos medir esforços para fazer com que a Petrobras reveja essa decisão, até porque a economia brasileira está dando sinais de recuperação e a prefeitura de Camaçari está fazendo a sua parte”, afirmou Elinaldo, que está no Rio acompanhado de alguns vereadores e dirigentes municipais.

Fonte: Henrique Brinco
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

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