Um dia depois da demolição de imóveis por parte da prefeitura de Salvador na rua Monsenhor Rubens Mesquita, no Tororó, a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) esteve no local para dialogar com moradores a respeito da situação dos imóveis locais, que incluem casas e comércios.
As demolições aconteceram no dia 26 de outubro após a prefeitura descumprir acordo firmado previamente com a Defensoria, de não realizar derrubamentos enquanto houvesse negociações com moradores em andamento. Na ocasião, moradores que não aceitaram acordo por suas casas, afirmaram que seus imóveis estavam sendo afetados por demolições vizinhas.
“Enquanto coordenação da Especializada de Direitos Humanos, estivemos no local na terça-feira, quando foram executadas as demolições pelo município, para conversar com os moradores e entender melhor a situação pela qual está passando a comunidade. No dia seguinte, retornamos com o defensor público Pedro Fialho, atualmente à frente do caso, para dialogarmos com os moradores sobre novas estratégias de atuação”, explicou a defensora pública Eva Rodrigues.
“É importante sempre destacar que o que está acontecendo é um diálogo do município com os moradores e acordo só se faz quando as duas partes estão confortáveis. A prefeitura realizou uma ação indevida, mas os moradores do Tororó, reconhecendo a complexidade da situação, ainda se mantiveram abertos à possibilidade de conversar desde que acompanhados pela Defensoria Pública, como vem acontecendo ao longo dos últimos anos”, afirmou Pedro Fialho.
O local é alvo de uma liminar de reintegração de posse obtida pela Prefeitura de Salvador, em segunda instância, no final de 2020, que ameaçou a permanência dos moradores no local. Questionado pela reportagem do Portal A TARDE sobre o tema, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM) explicou o tratamento dado aos moradores da área.
“No caso do Tororó todas [as pessoas] estão recebendo indenizações justissímas. São quase R$ 8 milhões que a Prefeitura está pagando de indenizações no Tororó. A gente chamou, negociou, deu tempo para pessoar sair da residência e só então inicou a demolição. Não foi feito nada que não fosse acordado. Nós tínhamos decisões judiciais que permitiam realizar demolição para depois negociar”, disse o prefeito em lançamento do programa Salvador Solar, no bairro do Comércio, no dia 27 de outubro.

