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Bahia busca reduzir negativa familiar para aumentar transplantes


Publicado em: 21/02/2018 20:01
Por: Da Redação


Em 24 horas, dez pessoas receberam órgãos doados por quatro famílias. Foram as córneas, fígados e rins captados em quatro pacientes que morreram na segunda-feira (19), vítimas de traumatismo craniano, decorrente de quedas, e um abscesso cerebral eram três adultos do sexo masculino e uma menina, de 2 anos de idade. De acordo com o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, “esse número de captações realizadas em curto espaço de tempo demonstra que o Estado possui estruturas hospitalares adequadas e profissionais especializados para a realização de transplantes”. Em setembro de 2015, o Governo do Estado, inclusive, lançou a Política Estadual de Transplante de Órgãos  e Tecidos.

O secretário ainda reforça dizendo que, na sexta-feira (16), cinco pessoas também foram submetidas a transplantes na Bahia, depois que a família de Kaíque Moreira Abreu, 22 anos, doou seus rins, fígado e córneas. O jovem, vítima de agressão no dia 9 deste mês, teve a morte encefálica confirmada no dia 14, quando os familiares decidiram fazer valer a vontade do estudante que, no ano passado, havia expressado a vontade de ter seus órgãos doados quando morresse.

Essa atitude, de acordo com a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, América Carolina Sodré, mostra a importância de uma conversa “aberta e franca com os familiares sobre doação. Para se ter uma ideia, no Estado, o número de negativa familiar é superior a 60%”. Ela reconhece que o momento da perda de um parente é delicado, “mas esse ato nobre pode salvar muitas vidas, como aconteceu com os órgãos doados pela família de Kaique, que beneficiou cinco pessoas”.

Segundo ainda a coordenadora, sempre que ocorre uma doação, “outras pessoas ficam mais sensibilizadas e propensas a fazer o mesmo, como ocorreu com quatro doações recentes. Ou seja, em 24 horas, conseguimos doação de múltiplos órgãos para beneficiar vários pacientes que estavam na fila de espera”.

Ela acrescenta que a estrutura para realizar transplantes no Estado contempla a capital e o interior. Só em Salvador, 13 estabelecimentos estão habilitados para realizar transplantes. Destes, dois hospitais de grande porte são da rede da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) – o Hospital Ana Nery (HAN), que está habilitado para fazer transplantes de rim, pulmão e coração, e o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), que recentemente também foi habilitado para fazer transplantes de rins, fígado e, em breve, córnea. Um dos transplantes de rins, realizado no último dia 16, ocorreu em Feira de Santana, na Santa Casa Pedro Alcântara.

Vilas-Boas ressalta que o desafio de ampliar o número de transplantes em todo o Brasil é o mesmo – reduzir a recusa familiar. “Na Bahia, não é diferente, com negativas alcançando 62%, índice que reduz a chance de milhares de pessoas à espera de um órgão”. Hoje, 838 pessoas esperam por um rim, e 766, de córnea.

América Carolina destaca que, além de conviver com a negativa das famílias dos possíveis doadores, os pacientes enfrentam outro problema – a compatibilidade do órgão. Por isso, ela acrescenta que “quanto mais pessoas se colocarem à disposição para doar, mais chances haverá para quem está na fila de espera”.

Processo de doação

O processo de doação se inicia com a identificação de um potencial doador que se encontra nas unidades hospitalares, geralmente em emergências ou Uidades de Terapia Intensiva (UTIs). Após criteriosa etapa de exames e avaliações, preconizados pelo Conselho Federal de Medicina, por meio das resoluções Nº 1480/97 e 2.173/17, é efetuado o diagnóstico de morte encefálica.

Confirmado o óbito, os familiares são informados e uma equipe especializada e treinada presta apoio emocional à família e oferece a possibilidade de doação de órgãos e tecidos. Com o consentimento familiar, procede-se a retirada dos órgãos e tecidos doados, que é realizada por equipes treinadas e habilitadas pelo Sistema Nacional de Transplantes /Ministério da Saúde.

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