domingo, 22 fevereiro, 2026

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Bahia lidera no Nordeste perda da Caatinga para usinas solares

A expansão de usinas solares no Semiárido baiano passou a ser apontada como uma nova ameaça ao que resta da Caatinga no Estado. Levantamento concluído esta semana pela iniciativa MapBiomas registra que, em 2016, os painéis fotovoltaicos ocupavam 481,6 hectares. Em 2024, essa área subiu para 5.564,14 hectares.

No ranking nacional de perda de Caatinga para empreendimentos solares, a Bahia ocupa o segundo lugar entre os Estados que mais converteram o bioma entre 2016 e 2014, com aumento de 25,48% em nove anos. Minas Gerais lidera com 59,84%; em seguida vêm Piauí (17,35%), Rio Grande do Norte (16,27%), Ceará (14,77%) e Pernambuco (12,22%).

MapBiomas

Juazeiro aparece como o município nordestino que mais retirou Caatinga para instalar usinas. De 2016 a 2024, o município baiano perdeu 2.303 hectares para os painéis fotovoltaicos. No Brasil, Juazeiro fica atrás apenas de Jaíba (MG), com 2.840 hectares, e Janaúba (MG), com 2.409 hectares.

MapBiomas

O dado divulgado esta semana complementa estudo lançado em agosto. Segundo o MapBiomas, o crescimento do setor começou a se intensificar a partir de 2016, quando havia 822 hectares ocupados por instalações de médio a grande porte voltadas à geração de energia solar com foco na comercialização.

“Em 2024, essa área já era de 35,3 mil hectares. Quase dois terços (62%, ou 21,8 mil hectares) estão na Caatinga; cerca de um terço (32%, ou 11,2 mil hectares) fica no Cerrado; e 6% (2,1 mil hectares) está na Mata Atlântica. Juntos, Minas Gerais, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte possuem 74% da área mapeada com usinas fotovoltaicas em 2024: 25,9 mil hectares”, diz o relatório.

Do total mapeado, 13,1 mil hectares, ou 37% da área ocupada por usinas fotovoltaicas no país, estão em Minas Gerais. Quase metade da área convertida (44,5%, ou 15,7 mil hectares) era formações savânicas; 36,6% (12,9 mil hectares) era pastagens antes da instalação das usinas.

Impactos locais e disputas por uso da terra

A ocupação do solo por empreendimentos solares levanta conflitos por uso da terra no Semiárido. Produtores, projetos de conservação e operadores de usinas disputam áreas que historicamente foram de caatinga, pasto ou vegetação savânica. Especialistas alertam para perda de serviços ecossistêmicos e fragmentação de habitats.

Políticas e fiscalização

Gestores públicos enfrentam o desafio de conciliar metas de energia limpa com critérios ambientais locais. O mapeamento do MapBiomas aponta necessidade de diretrizes mais rígidas para licenciamento e monitoramento das áreas convertidas, sobretudo em biomas endêmicos como a Caatinga.

O MapBiomas

Criado com o propósito de revelar as transformações do território por meio da ciência, com precisão, agilidade e qualidade, MapBiomas é uma rede global e multi-institucional, formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia, que monitora as transformações na cobertura e no uso da terra nos territórios e seus impactos.

A entidade tem a missão de tornar acessível o conhecimento sobre a cobertura e o uso da terra, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Em 2025, a rede completou dez anos, fornecendo a mais atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Nascido no Brasil, o MapBiomas está atualmente presente em 14 países – toda a América do Sul e Indonésia.

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