Da Redação
O Brasil deu um passo inédito na indústria de defesa ao apresentar, nesta quarta-feira (25), o primeiro caça supersônico produzido no país. O modelo F-39E Gripen foi exibido no Aeródromo Embraer, em Gavião Peixoto (SP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A aeronave, desenvolvida em parceria com a empresa sueca Saab, coloca o Brasil entre os poucos países capazes de produzir caças de alta complexidade. Com isso, o país se torna o primeiro da América Latina a dominar esse tipo de tecnologia.
Em publicação nas redes sociais, Lula destacou o simbolismo do momento. “Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou.
A apresentação integra o programa Caça FX-2, que prevê investimentos de R$ 28,5 bilhões entre 2014 e 2033, sendo R$ 10,5 bilhões incluídos no Novo PAC (2023-2030). O projeto abrange a aquisição, produção de aeronaves e transferência de tecnologia para a indústria nacional.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também ressaltou a relevância do projeto. “O presidente Lula tem fortalecido a indústria brasileira e a indústria da defesa está na vanguarda da inovação. A indústria da defesa é um seguro para a soberania nacional”, afirmou.
Durante a cerimônia, Lula participou do batismo do caça ao lado de autoridades como o ministro da Defesa, José Múcio, o comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, e representantes da Embraer e da Saab.
Capacidade e produção
O F-39E Gripen é um caça multiemprego, com funções que incluem defesa aérea, reconhecimento, inteligência e ataque ao solo. A produção no Brasil envolveu mais de um milhão de horas entre desenvolvimento, ensaios e suporte, além de 600 mil horas de treinamento.
A parceria entre Embraer e Saab prevê transferência de tecnologia e capacitação de profissionais brasileiros, além de ampliar a autonomia do país na área aeronáutica.
“Essa cooperação fortaleceu a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e abriu novas oportunidades internacionais. Esta planta de Gavião Peixoto está plenamente preparada para fabricar novos Gripens para outros países”, afirmou o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto.
Para o presidente da Saab, Micael Johansson, o projeto simboliza confiança na parceria com o Brasil. “Essa é a primeira vez desde 1937, quando a Saab foi fundada, que um caça é feito fora da Suécia”, destacou.
Impactos e empregos
O programa prevê a aquisição de 36 aeronaves, sendo 15 produzidas no Brasil. A iniciativa envolve empresas nacionais como AEL Sistemas, Akaer e Atech, além de gerar cerca de 13 mil empregos, entre diretos e indiretos.
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio, a entrega das primeiras unidades nacionais representa a concretização de um planejamento antigo. “O plano de entrega de aeronaves do projeto Gripen fazia previsão de contemplar em 2026 as primeiras aeronaves produzidas no Brasil. Essa entrega é uma realidade no dia de hoje”, afirmou.
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, destacou o caráter histórico do projeto. “Esse marco histórico […] atesta o ineditismo do nosso Brasil na produção de caças supersônicos […] consolidando a indústria nacional como referência continental”, disse.
Novos mercados e tecnologia
Além de atender à Força Aérea Brasileira, o projeto também mira o mercado internacional, com possibilidade de exportação para países da América Latina. A linha de produção no Brasil foi iniciada em 2023.
Durante a visita, Lula também conheceu a pista de testes da Embraer, a maior do hemisfério sul, com cinco quilômetros de extensão, e acompanhou a demonstração de um eVTOL – veículo elétrico de pouso e decolagem vertical – desenvolvido pela Eve Air Mobility.
PROGRAMA CAÇA FX-2 (F-39/GRIPEN)
Início do empreendimento: 24/10/2014
Previsão de conclusão: 24/06/2033
Valor total do programa (2014-2033): R$ 28,5 bilhões – aquisição e produção de 36 aeronaves
Valor total do Programa no Novo PAC (2023-2030): R$ 10,5 bilhões (2023-2030) – aquisição e produção de 23 aeronaves.

