Antes, no século XIX até principio do século XX, o Taboão era um grande bairro residencial e sofisticado. Famoso pela comercialização de produtos plásticos, couro e decoração, atualmente a rua abriga outros segmentos do comércio, como gráficas e restaurantes.
Diferente do século passado, a Taboão apresenta outra realidade. Buracos nas ruas e nas calçadas, fiação exposta, falta de acessibilidade e sinalizações de trânsito são alguns dos problemas enfrentados por quem mora e trabalha no local. A situação tem sido motivo de reclamações dos lojistas, moradores e pessoas que circulam pela região. Conhecida como um dos maiores e mais importantes polos de vendas de artigos para sofá, persianos e tecidos, a Rua do Taboão faz parte do Centro Histórico de Salvador no bairro do Pelourinho, onde tem uma gama de casarões tombados e preservados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional- IPHAN.
A rua faz a interligação do Comércio com o Centro Histórico, Baixa dos Sapateiros e o Santo Antônio Além do Carmo. Degradados, os casarões antigos, que chegam até cinco andares, abrigam nos cômodos superiores moradores e principalmente os depósitos das lojas que funcionam no térreo. Muitos deles escorados por ferros e madeiras, chamam atenção e amedrontam moradores e visitantes.
Pessoas que moram no local reclamam e falam do abandono e do medo de viverem ali. O motorista Florisvaldo Sousa de 39 anos, nascido e criado no bairro, falou da dificuldade que os moradores enfrentam principalmente nos dias de chuva. “Quando chove aqui alaga tudo, os bueiros são todos entupidos e a rua fica com água até as portas da casa e das lojas”, disse Sousa.
Segundo moradores, existia uma associação de comerciantes no bairro, para resolver e solucionar problemas da comunidade. Sem nenhum retorno das reivindicações, o espaço foi fechado.
Construído em 1897, o Elevador do Taboão foi inaugurado, ligando partes importantes do Santo Antonio Além do Carmo e Pelourinho aos fundos da Casa do Comércio e ruas ali localizadas. Hoje, quem olha os restos da construção centenária, demora para entender porque aquele espaço virou ruínas.
A família do comerciante Gerson Luis dos Santos de 57 anos, que tem uma loja no local há mais de 42 anos, mostrou a equipe da Tribuna da Bahia a degradação e descaso. “Os casarões estão caindo, tenho medo que aconteça um acidente e alguém morra”, pontuou. Gerson também mostrou a questão do trânsito, que segundo, sem sinalização, os carros andam na contramão. “Os clientes tem dificuldades para chegar à minha loja, além de não ter local para estacionar”, finalizou.
A Tribuna da Bahia procurou a Secretaria de Manutenção – SEMAN, para saber se há projetos para recuperação do local. No entanto, a secretaria informou que não existe nenhum pedido de licitação para obras naquele local. Informou ainda que existe uma dificuldade em fazer qualquer tipo de intervenção naquela rua por ser uma Poligonal do Centro Histórico, este que faz parte do IPHAN.
Já o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC informou que não há nenhum planejamento ou solicitação no sentido de revitalização do local.

