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Caso Marielle dá munição a ato pró-Lula e à democracia


Publicado em: 16/03/2018 7:04
Por: Da Redação


O ‘ato pela democracia’, ponto alto do Fórum Social Mundial na Bahia, organizado para ser um grande apoio à candidatura do ex-presidente Lula e contra sua prisão, não contou com a presença das autoridades latinas que estavam previstas na quinta-feira, 15, somente a do presidente de Honduras Manuel Zelaya , e nem lotou o estádio de Pituaçu, que tem capacidade para mais de 32 mil pessoas. Mas, o assassinato da vereadora psolista, Marielle Franco, no Rio de Janeiro, acabou pautando os discursos e servindo de munição para Lula e aliados políticos, ao lembrarem que sua morte representaria um reflexo do ‘golpe’.

A ex-presidente Dilma Rousseff, que está em Salvador, não compareceu ao evento. Acabaram desistindo de última hora os ex-presidentes Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai). A ideia inicial era a de que eles assinassem uma carta de desagravo ao ex-presidente do Brasil. A pré-candidata à presidência da República, Manuela D´Ávila (PCdoB) e o governador Rui Costa (PT), além de parlamentares baianos e europeus ocuparam as cadeiras.

Ao subir ao palco montado em frente ao gramado do estádio, o ex-presidente Lula foi ovacionado por militantes. Pouco antes, ele foi recebido por tribos indígenas que fizeram pajelança com incensos para “fechar seu corpo”. Ele chegou a dizer que quantidade de pessoas [no evento] não representa qualidade de ideias. Alguns militantes chegaram a invadir a área reservada inicialmente a convidados e imprensa, para ficarem mais próximos do líder petista.

Após lembrar das conquistas sociais e de direitos humanos em seu governo, Lula disse que “eles” (os adversários políticos) acham que irão resolver o problema do Rio de Janeiro colocando o Exército nas ruas, “mas o que a gente coloca: saúde, escola, educação…”. Pouco antes, o ex-presidente havia dito que os “facínoras” que mataram Marielle “não perceberam que só mataram a carne, mas que as ideias dela são muito mais fortes do que quando ela estava viva. Todo mundo agora é um pouquinho Marielle”.

Lula retomou esta ideia ao falar da sua ameaça de prisão. Ele pode ser preso após o TRF-4 tê-lo condenado a 12 anos de reclusão e caso o Supremo Tribunal Federal não defira habeas corpus em seu favor. Chamou os que o ‘perseguem’ de ‘bando de babacas’.

“Não adianta me perseguir, que estão perseguindo todos da população. Eles podem fazer qualquer coisa conosco mas as nossas ideias estão no ar. Querem me prender para calar a minha voz, eu falarei pela voz de vocês. Querem me prender para que eu não possa andar por aí, eu andarei com as pernas de vocês. Querem impedir minhas ideias, eu pensarei pela cabeça de vocês”.

O ex-presidente Lula também aproveitou para defender o ex-governador Jaques Wagner (PT), amigo pessoal, o qual chama de ‘galego’, acusado pela Policia Federal, semanas atrás, de receber R$ 82 milhões de propina através do contrato para a construção da Arena Fonte Nova. “Eu quase não venho ao Fórum. Mas o que me motivou foi a ofensa que fizeram ao companheiro Jaques Wagner, levantando mentiras sem nenhuma responsabilidade. Eu vim para dizer ao galego: não baixe a cabeça porque com caráter e honra a gente nasce”.

Rui Costa

Um dia após a polêmica entrevista que concedeu ao portal de notícias UOl, na qual admite a possibilidade de Lula não ser candidato e cita que o impeachment é página virada, o governador Rui Costa começou seu discurso afirmando que Lula é o maior presidente da história do Brasil.

“Lula, se você tivesse 1% da pesquisa ninguém tocava no seu nome, nem Judiciário, nem TV, nem Ministério Público (…) Eles querem impedir que se possa decidir na urna quem será o presidente da República(…). Viva Lula, viva o Brasil”, disse o governador.

Pela manhã, Lula cumpriu agenda na Assembleia Legislativa da Bahia (Foto: Sandra Travassos AL-BA)

Discurso na AL-BA

O ex-presidente Lula iniciou o seu discurso no Encontro Internacional Parlamentar, que aconteceu pela manhã na Assembleia Legislativa da Bahia, destacando a política internacional do seu governo. Lula disse que ele e os ex-presidente Hugo Chavez (Venezuela), José Mujica (Uruguai), Cristina Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) produziram um “tempo de muita fertilidade” para as esquerdas na América Latina.

“Não abaixamos a cabeça para George Bush [republicano que governou os Estados Unidos de 1989 a 1993], e detonamos a Alca (Área de Livre Comércio das Américas)”, afirmou o ex-presidente.

O encontro internacional, no entanto, não contou com a presença de nenhum dos estadistas citados por Lula, embora tenham sido anunciados pela organização do Fórum Social Mundial (FSM). De fora, apenas parlamentares da França e da Argentina.

O ex-presidente lembrou que quando Evo quis nacionalizar o gás, que era deles, exigiu apenas que a Bolívia pagasse os investimentos que a Petrobras fez lá. “Me criticaram. Mas eu, um ex-metalúrgico, brigar com um índio, não dava. Eu tenho orgulho das coisas que fiz”, afirmou.

Com a candidatura pendente no TRF-4, Lula atacou o Ministério Público e disse que o que está em jogo em 2018 é uma disputa de projetos e programas. “O problema não é se Lula é candidato ou não. É restabelecer a democracia. Estou Lulinha paz e amor. E agora mais experiente”.

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