sábado, 24 janeiro, 2026

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Convulsão não é epilepsia e pode ocorrer de forma isolada

Da Redação

A convulsão sofrida pelo ator Henri Castelli (47) durante uma prova do Big Brother Brasil 26, na última quarta-feira (14), reacendeu um alerta importante: convulsão não é epilepsia. Após atendimento da equipe médica do programa e retorno à casa, o participante voltou a passar mal horas depois e precisou de novo atendimento. Segundo a produção, ele está bem e segue em observação.

O episódio, acompanhado por milhões de telespectadores, trouxe à tona uma confusão comum – e potencialmente perigosa – entre crises convulsivas isoladas e a epilepsia, uma condição neurológica crônica. Especialistas explicam que a distinção é fundamental para o diagnóstico correto e para evitar estigmas desnecessários.

Crises convulsivas podem ocorrer em qualquer pessoa, em diferentes fases da vida, e por diversos motivos. Já a epilepsia é caracterizada por crises recorrentes, sem causa imediata aparente, exigindo acompanhamento contínuo.

Crise convulsiva: o que é e por que acontece

Segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), uma crise convulsiva ocorre quando há uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro. Os sintomas incluem perda de consciência, movimentos involuntários, rigidez muscular e, em alguns casos, confusão mental após o episódio.

Febre alta, desidratação, privação de sono, uso de álcool ou drogas, infecções, alterações metabólicas e até situações de estresse intenso podem desencadear uma convulsão isolada.

“O cérebro pode reagir a agressões momentâneas com uma crise convulsiva, sem que isso signifique uma doença neurológica crônica”, explica o especialista. “Em muitos casos, após investigação, o paciente nunca mais apresenta outro episódio”, completa.

Uma convulsão única exige avaliação médica, exames complementares e acompanhamento neurológico, mas não necessariamente indica epilepsia. O uso de medicação anticonvulsivante deve ser avaliado de forma individual.

Epilepsia: quando a crise vira diagnóstico

A epilepsia é definida pela ocorrência de duas ou mais crises não provocadas, em momentos distintos, sem causa imediata identificável. Trata-se de uma condição neurológica crônica, que pode ter origem genética, estrutural, infecciosa ou desconhecida.

“Na epilepsia, o cérebro tem uma predisposição persistente a gerar crises”, afirma Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica do HMDS. “É diferente de uma convulsão desencadeada por febre, hipoglicemia ou exaustão. O tratamento é contínuo e individualizado”.

Os sintomas variam e nem toda crise epiléptica envolve convulsões. Algumas se manifestam como lapsos de consciência, olhar fixo, movimentos repetitivos ou sensação de déjà-vu.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame neurológico, eletroencefalograma (EEG) e exames de imagem, como a ressonância magnética. Nos casos de crises isoladas, o foco é identificar a causa e evitar novos gatilhos.

Na epilepsia, o tratamento costuma incluir medicamentos anticonvulsivantes de uso contínuo e, em situações específicas, cirurgia ou terapias complementares. “Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas com epilepsia pode ter uma vida plenamente ativa. O maior desafio ainda é o preconceito”, destaca Alvim.

Como agir durante uma convulsão

Durante uma crise convulsiva, a orientação é manter a calma e priorizar a segurança. A pessoa deve ser colocada de lado, para evitar aspiração de saliva, afastando objetos que possam causar ferimentos e protegendo a cabeça. Não se deve segurar os movimentos nem colocar objetos na boca.

“Intervenções inadequadas podem causar mais danos do que a própria crise”, alerta Jamary. “Se a convulsão durar mais de cinco minutos, ocorrer em sequência ou se a pessoa não recuperar a consciência, é fundamental acionar o serviço de emergência”.

Prevenção e atenção aos sinais

Dormir bem, manter alimentação equilibrada, evitar álcool em excesso e seguir corretamente o uso de medicamentos ajudam a reduzir o risco de crises. Para pessoas com epilepsia, a adesão ao tratamento é decisiva para o controle da condição.

O caso de Henri Castelli, ainda sem diagnóstico divulgado, mostra que episódios assim podem ocorrer até em pessoas aparentemente saudáveis. Mais do que gerar especulações, situações desse tipo contribuem para informar, orientar e quebrar mitos.

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