Da Redação
Déficits em saúde, educação e mercado de trabalho fazem com que crianças no Brasil percam cerca de 40% da renda futura que poderiam alcançar, segundo relatório do Banco Mundial. Em países de baixa e média renda, a perda média chega a 51%.
O estudo “Construindo o Capital Humano Onde Importa: Domicílios, Bairros e Emprego” aponta que, entre 2010 e 2025, houve quedas na nutrição, aprendizagem ou no avanço de habilidades da força de trabalho na maioria dos países analisados. A informação é da Agência ONU Notícias.

Índice de Capital Humano
Junto ao relatório, foi lançado o Índice de Capital Humano Plus (HCI+), que mede o capital humano médio que uma criança nascida atualmente pode acumular ao longo da vida, considerando riscos em saúde, educação e emprego.
No Brasil, o HCI+ de 2025 é de 203 pontos, acima da média da América Latina e Caribe, que é de 194. O principal gargalo está na educação, com 115 pontos de um total de 188. No trabalho, o desempenho é de 44 em 87 pontos, e, em saúde, 44 de 50.
A desigualdade de gênero também aparece nos dados. Homens registram expectativa de 210 pontos, enquanto mulheres somam 196, diferença de 14% ao longo da vida.
De forma geral, o índice indica que o Brasil não converte plenamente seu potencial em capital humano.
Impacto do ambiente e da renda
O relatório destaca que crianças brasileiras perdem cerca de 40% dos ganhos futuros quando comparadas ao que o país poderia alcançar em condições semelhantes às de economias de renda equivalente com melhor desempenho.
A acumulação de capital humano depende dos recursos dos domicílios e da qualidade dos cuidados oferecidos às crianças. Indicadores como nutrição, vocabulário e proficiência em matemática são influenciados pela educação dos pais, indicando que aumento de renda precisa vir acompanhado de políticas públicas voltadas ao cuidado e à aprendizagem.
O território também pesa. Mesmo entre famílias com renda semelhante, crianças que vivem em bairros mais favorecidos têm melhores resultados: 25% mais probabilidade de conseguir emprego formal e o dobro de renda na vida adulta.
Em contrapartida, exposição à poluição, criminalidade e infraestrutura precária compromete saúde, aprendizagem e acesso ao mercado de trabalho.
Após duas décadas de experiência, trabalhadores brasileiros concentram pouco mais da metade do capital humano observado nos Estados Unidos. O crescimento de competências e salários é maior no emprego formal, especialmente em empresas de maior porte.
Recomendações
O Banco Mundial recomenda ampliar programas de desenvolvimento infantil e educação pré-escolar, fortalecer políticas para bairros desprivilegiados e integrar ações em nutrição, aprendizagem e qualificação profissional.
Também sugere reformas no mercado de trabalho para ampliar oportunidades de aprendizagem prática e acesso a creches, além de políticas integradas que conectem domicílios, bairros e emprego, com monitoramento contínuo das ações públicas.

