segunda-feira, 26 janeiro, 2026

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Empresária recebeu R$ 1,5 mi do “Careca do INSS” e cita filho de Lula em conversa, diz PF

A empresária Roberta Moreira Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão em repasses atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. Os pagamentos são alvo da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), que investiga um esquema de fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação é da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo.

Segundo a colunista para a  Polícia Federal, Antunes é apontado como um dos líderes da organização criminosa responsável pelas fraudes. Já a atuação de Roberta Luchsinger, descrita pelos investigadores como integrante vinculada ao núcleo político do grupo, é considerada “essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”.

Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, o suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, seu avô. Roberta Luchsinger foi casada com o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Ela se declara socialista e, em 2017, anunciou que faria uma doação milionária ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que à época era investigado pela Operação Lava Jato.

A empresária também mantém amizade com Luís Fabio Lula da Silva, um dos filhos do presidente , e, de acordo com as investigações, seria um dos elos entre ele e o “Careca do INSS” para projetos na área de saúde. Neste ano, o portal Poder360 revelou que Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, afirmou em depoimento à PF que o empresário pagava uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente. A informação é negada.

De acorod coma reportagem, em conversas analisadas pela Polícia Federal e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), Roberta Luchsinger tenta tranquilizar Antônio Carlos Antunes sobre reportagens que o vinculavam ao filho de Lula.

“Na época do Fábio [em governos anteriores de Lula], falaram de Friboi, de um monte de coisa o (sic) maior… igual agora com você”, afirma a empresária em áudio enviado ao “Careca do INSS”, em referência a rumores disseminados pela oposição de que o filho do presidente seria sócio do frigorífico.

Diante das suspeitas, o presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (18) que eventuais envolvidos serão investigados, independentemente de vínculos pessoais.

“Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade vai ser investigado”, declarou.

A defesa de Roberta Luchsinger nega irregularidades. O advogado Bruno Salles afirmou que a empresária foi contratada por Antunes para prestar consultoria empresarial na área de regulação. “Ela não sabia do envolvimento dele com a máfia do INSS quando foi procurada”, disse.

De acordo com relatório da Polícia Federal enviado ao STF, a Brasília Consultoria Empresarial Ltda., responsável pelos repasses à empresária, é apontada como “empresa de fachada do grupo de Antônio Camilo Antunes”. Segundo os investigadores, os valores transferidos tinham como justificativa serviços que não foram realizados.

Os contratos previam “pagamentos de cem mil reais para cada projeto específico”, identificados como “Projeto Energia”, “Projeto Esmagadoras” e “Projeto Hidrogênio”. Ainda segundo a PF, os projetos “fugiam por completo das atividades da Brasília Consultoria Empresarial Ltda”.

Os pagamentos somaram cinco parcelas de R$ 300 mil, feitas por meio da Brasília Consultoria Empresarial S/A à RL Consultoria e Intermediações Ltda. Em mensagens apreendidas, Antunes faz referência à necessidade de realizar “mais uma parcela de pagamento de 300 mil reais”.

Em outro trecho destacado pela PF, ao ser questionado por um funcionário sobre quem seria o destinatário dos valores, Antunes responde: “O filho do rapaz”. Em seguida, os investigadores apontam o envio de um comprovante de pagamento “de R$ 300 mil reais para RL CONSULTORIA E INTERMEDIAÇÕES LTDA, quantia que seria destinada, pelo sentido das mensagens, ao ‘filho do rapaz’”.

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