Duas horas após uma falha técnica provocar o fechamento de todas as estações da linha 1 do metrô de Salvador, o serviço começou a ser normalizado às 8h57 quando as estações Pirajá e Bom Juá foram liberadas para os passageiros. Antes disso, todas as estações da linha que liga a Lapa a Pirajá ficaram fechadas. De acordo com a CCR Metrô, às 9h21, todos os trêns e estações estavam funcionando normalmente.
Muitos passageiros se aglomeram na porta de acesso à Estação Pirajá esperando a volta do funcionamento da Linha 1. A auxiliar de serviço gerais, Renilda Silva, chegou por lá por volta das 5h30. Desde então aguardou a volta do funcionamento do sistema de transporte, que aconteceu às 9h01.
Grávida de cinco meses, Renilda chegou a passar mal e precisou sentar. Ela aguarda sentada no chão desde então. “Moro em Valéria e quando chegou aqui na estação fui avisada que o sistema não estava funcionando. Não me deram um previsão de volta. Já liguei pra avisar ao chefe que não vou conseguir chegar a tempo”, conta.A auxiliar de serviço gerais usaria o metrô para chegar ao Bairro da Paz e, de lá, pegaria uma van até à Paralela.
O jovem Diego Alves, 14, tinha que estar no Campo Grande para assinar a documentação necessária para começar o trabalho como jovem aprendiz. Ao ser informação sobre a suspensão do metrô, Diego e a mãe, a dona de casa Naiana Alves, 34, precisaram pegar uma carona.
“Meu marido é motorista da Uber e precisou largar o serviço pra vim buscar a gente. Sei que não vamos chegar a tempo”, lamenta a dona de casa.
A atendente Letícia Lemos, 24 anos, também teve que ligar para o supervisor pra justificar o atraso. Ela precisava estar no trabalho às 8h, mas, às 8h40, aguardava uma carona do marido até o Shopping Salvador. “O pior é que ele também está em um engarrafamento na Br-324. Um transtorno como esse eu só enfrentei na greve dos rodoviários”, conta Letícia.
O primeiro metrô com acesso à Estação da Lapa chegou às 9h01 na estação Pirajá. A balconista Maria da Conceição, 53 anos, tirou o dia de folga para levar a filha Maria Vitória, 13, para uma coleta de sangue no Hospital Martagão Gesteira, no bairro do Tororó. As duas precisavam estar na unidade de saúde às 8h, mas nesse horário ainda estavam paradas em Pirajá. Agora não elas não sabem se vão conseguir realizar o procedimento médico. “Não sabemos se vamos conseguir, estamos muito atrasadas”, lamenta a balconista.
Mãe e filha não embarcaram no primeiro veículo que chegou na estação às 9h01. Preferiram esperar o segundo trem. “Sou hipertensa e não iria conseguir viajar com todo esse aperto. Tenho pavor de lugares fechados. Vamos esperar o próximo até à Lapa para saltarmos antes, no Campo da Pólvora”, acrescenta a balconista.

