quarta-feira, 18 fevereiro, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

Estudantes criam sensor que ajuda colegas com hipersensibilidade auditiva

Em uma escola pública de Coração de Maria, no interior da Bahia, o barulho das salas de aula ganhou um novo significado. Estudantes da Escola Municipal David Mendes Pereira, integrantes do Laboratório de Educação 7.0 da Dulino, criaram o Projeto “Coração Inclusivo”, um dispositivo eletrônico simples e de baixo custo que mede o nível de ruído e indica, por meio de luzes coloridas, se o ambiente está tranquilo (verde), moderado (amarelo) ou intenso (vermelho).

A iniciativa nasceu da preocupação com colegas que têm hipersensibilidade auditiva. “A gente percebia que alguns colegas tapavam os ouvidos com as mãos quando a turma começava a falar alto. Era triste ver que eles se sentiam desconfortáveis. Queríamos achar um jeito de ajudar”, conta Luane Souza da Silva Santos, 14 anos, uma das criadoras do protótipo.

Fotos: Divulgação/Reprodução

Com o apoio de professores e monitores, os alunos pesquisaram sensores de ruído, aprenderam programação em Arduino e construíram o protótipo dentro do laboratório. “Quando a luz acende vermelha, a gente mesmo tenta abaixar a voz. Virou uma brincadeira boa, mas também uma lição de empatia”, acrescenta Igor Gabriel Ferreira, 12 anos.

O dispositivo foi instalado em turmas da rede municipal e rapidamente virou parte da rotina escolar. Professores relatam melhora no comportamento e no bem-estar dos estudantes, que passaram a compreender o impacto do som no ambiente e a se responsabilizar coletivamente pela harmonia da sala.

Para o monitor educacional Vinícius Santos, o Coração Inclusivo representa o verdadeiro sentido da inovação. “Quando um estudante entende que pode usar a tecnologia para cuidar do outro, estamos diante do verdadeiro sentido da inovação”, afirma. Segundo ele, “a Dulino acredita numa educação que desperta empatia e protagonismo. O que esses jovens fizeram é exatamente isso: olharam para um problema real e responderam com sensibilidade, criatividade e propósito.”

Desenvolvido com base na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e alinhado às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o projeto une empatia, cultura digital e cidadania. Os sensores e LEDs ajudam os alunos a perceber o som como elemento de convivência, transformando o ambiente escolar em um espaço de respeito mútuo.

A proposta, que começou em uma única sala, já desperta o interesse de outras escolas do município. A meta é expandir o uso do sensor para todas as turmas, inclusive da Educação Infantil. “A escola ficou mais silenciosa, mas o que mais mudou foi o jeito que a gente escuta uns aos outros”, resume Yasmin Gramosa, com um sorriso.

O Coração Inclusivo faz jus ao nome que carrega: um coração que pulsa entre cabos, luzes e gestos de solidariedade, mostrando que o futuro da educação pode ser tão luminoso quanto uma lâmpada verde acesa no meio da aula.

Publicidade

Arquivos