quinta-feira, 19 fevereiro, 2026

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Estudo aponta Caatinga como protagonista na captura de carbono no Brasil

Um estudo recente da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revela que a Caatinga foi responsável por até 50% do sequestro de carbono no país entre 2015 e 2022. A análise destaca o potencial do bioma semiárido – que só ocupa 10% do território brasileiro – como elemento ativo na mitigação das mudanças climáticas, especialmente em períodos de maior incidência de chuvas.

O estudo utilizou imagens de satélite e indicadores ecológicos para mensurar a capacidade da vegetação nativa em capturar CO₂ da atmosfera. Os dados revelam que, mesmo em regiões de clima seco, a Caatinga pode desempenhar papel relevante na remoção de carbono, especialmente quando favorecida por ciclos climáticos com maior volume de chuvas.

Na Bahia, estado que abriga a maior área contínua de Caatinga do país, os resultados do estudo ampliam a compreensão sobre a importância ecológica e climática do bioma. A vegetação nativa do semiárido baiano se apresenta como uma aliada fundamental para a regulação do clima e conservação dos recursos hídricos, além de contribuir para a estabilidade das bacias hidrográficas e a proteção de solos e nascentes em territórios semiáridos.

Diante da relevância dos dados, os Comitês de Bacias Hidrográficas da Bahia reforçam seu papel como espaços de articulação entre diferentes segmentos da sociedade — instituições públicas, usuários de água e representantes da sociedade civil — no apoio a iniciativas voltadas à sustentabilidade ambiental. Ismael Medeiros, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu, destaca a importância do estudo como referência para o fortalecimento dessa atuação colaborativa.

“A divulgação desses dados reforça a relevância dos esforços de gestão integrada dos recursos naturais no território baiano. A atuação dos Comitês contribui para integrar diferentes agentes na construção de soluções sustentáveis para os desafios hídricos e climáticos da região”, afirma.

A atuação dos Comitês se dá por meio do acompanhamento de projetos, participação em fóruns técnicos e apoio a ações educativas e de preservação conduzidas por entidades parceiras. Suely Argôlo, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre, ressalta que os resultados da pesquisa confirmam percepções já observadas na prática pelas comunidades tradicionais e instituições que convivem com a dinâmica da Caatinga.

“A pesquisa traz evidências científicas que fortalecem o que já percebemos na prática que preservar a Caatinga é também preservar as bacias hidrográficas e garantir a disponibilidade hídrica. No nosso Comitê do Salitre temos um lema que é ‘A Caatinga em pé’ para que possamos sempre lembrar de lutar e preservar este bioma tão importante para nossa bacia e região ”, aponta.

A relação entre chuvas e sequestro de carbono, evidenciada no estudo, também aponta a importância da vegetação nativa em ciclos de recuperação ambiental. A Caatinga, mesmo em áreas com regimes hídricos desafiadores, demonstra alta resiliência quando bem conservada.

Os pesquisadores da Unesp destacam a necessidade de aprofundar os estudos sobre o funcionamento ecológico do bioma e reforçam a importância da cooperação entre instituições acadêmicas e organizações que atuam nos territórios da Caatinga. O estudo pode ser conferi na íntegra através deste link.

A Caatinga

A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, localizado na região Nordeste, abrangendo principalmente os estados da Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e parte do norte de Minas Gerais.

Caracteriza-se pelo clima semiárido, com longos períodos de seca e chuvas irregulares. Sua vegetação é formada por plantas adaptadas à escassez de água, como cactos, mandacarus, xique-xiques e juazeiros, que possuem folhas pequenas ou espinhosas e raízes profundas para armazenar umidade. Apesar da aparência árida, a esse bioma abriga uma grande biodiversidade, com espécies endêmicas que não existem em nenhum outro lugar do planeta.

A Caatinga tem papel essencial na regulação climática, no sequestro de carbono e na proteção dos solos e bacias hidrográficas do semiárido, sendo fundamental para o equilíbrio ambiental e para a sobrevivência das comunidades que dele dependem.

Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na área original da caatinga, sendo que 80% de seus ecossistemas originais já foram alterados, principalmente por meio de desmatamentos e queimadas, em um processo de ocupação que começou nos tempos do Brasil colônia.

Parte da população que reside em área de caatinga é carente e precisa dos recursos da sua biodiversidade para sobreviver. Estes mesmos recursos, se conservados e explorados de forma sustentável, podem impulsionar o desenvolvimento da região.

 

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