A atriz Eva Wilma, 84 anos, 66 de carreira artística, um dos maiores nomes do teatro e da televisão, pode surpreender o público baiano. É que a intérprete, que também deixa sua marca no cinema, também sabe cantar. E é este talento, desconhecido por muitos, que ela vai mostrar no espetáculo Casos e Canções que será apresentado sábado, às 20 horas, e domingo, às 19 horas, no Teatro Jorge Amado.
A atriz será acompanhada dos cantores, compositores e músicos Johnnie Beat (filho da atriz com o ator, produtor e diretor John Herbert , falecido em 2011) e William Paiva, que assina a direção musical do espetáculo.
A direção cênica é de Eduardo Figueredo. O quarteto participou do espetáculo Crise, que Crise? em 2017, que foi embrião do atual projeto.
Repertório
Filha única de pai alemão, Eva Wilma conta que herdou da família a paixão pela música (a mãe e o pai tocavam piano). “Dos 9 aos 19 anos aprendi balé, mas também tinha aulas de piano, violão e canto, o que me ajudou muito no meu trabalho de atriz”, afirma a intérprete.
Eva diz que a ideia do atual espetáculo foi do filho e entrega que, em cena, une canções e histórias da sua carreira. No repertório, homenageia sua primeira professora de canto, a grande Inezita Barroso, com os clássicos Uirapuru e Azulão.
Seguem, de acordo com Eva Wilma, as músicas Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, Samba em Prelúdio, de Baden Powell, que ela considera “um gênio do violão”, e Vinícius de Moraes (ela acompanhou alguns processos criativos da dupla).
Sucessos de Adoniran Barbosa como Saudosa Maloca e Tiro ao Álvaro e Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos, também fazem parte do repertório, bem como Tempo Rei, de Gilberto Gil. Do filho Herbert Junior, o Johnnie Beat, traz duas músicas: Nova Emoção e A Inveja. Entremeando as canções, ela recita poesia e relata algumas situações com os colegas.
Mulheres de Areia
Na primeira versão da novela Mulheres de Areia – um dos marcos da televisão brasileira, exibida em 1973 –, por exemplo, Eva lembra que o sucesso era tanto que no segundo mês de exibição, ônibus e mais ônibus chegavam à praia da cidade de Itanhaém, no litoral de São Paulo, para acompanhar as gravações.
Uma vez, ela e o ator Gianfrancesco Guarnieri, que fazia o Tonho da Lua na versão original, estavam em cima de uma espécie de morro, esperando para reiniciar os trabalhos. “Garoava, o povo não saía do local, parava de garoar, o povo permanecia, até que Guarnieri me saiu com esta: “Estou me sentindo Nossa Senhora de Lourdes!!!!”, lembra, entre risos. A icônica abertura da novela, aliás, quando Eva Wilma aparece, belíssima, correndo pela praia, será mostrada no espetáculo.
Outros projetos
A atriz está escalada para a nova novela das 19 horas, O Tempo não Para, escrita por Mário Teixeira. Seu personagem é uma médica. Também comemora a participação no curta Minha mãe, minha filha, de Alexandre Estevanato, que fala do mal de Alzheimer. E já gravou a série Os Experientes, parceria da O2 Filmes com a Globo. Energia para dar e vender.
>> Casos e canções / Sábado, 20h, e domingo, 19h / Teatro Jorge Amado/ (71) 3525-9720 / Av. Manoel Dias da Silva, 2.177 – Pituba / R$ 86 e R$ 43 (meia)
