Ex-chefe de gabinete do vereador de Salvador Vado Malassombrado (DEM), Mário Leal Roxo procurou o Bahia Notícias nesta segunda-feira (1°) para reforçar a denúncia de estelionato contra o político (relembra aqui). De acordo com Mário Leal, que foi funcionário do edil de 2016 até janeiro de 2018, Vado agiu de má-fé ao passar cheques sem fundos para Adalberto Torres Vilas Boas na compra de um ônibus em 2016.
De acordo com o denunciante, que, segundo ele, participou diretamente da negociação, o ônibus custou R$ 35 mil. Inicialmente, o vereador pagou R$ 15 mil em espécie na data em que pegou o veículo em Jeremoabo, no nordeste baiano. Para pagar o restante, se comprometeu a passar quatro cheques de R$ 5 mil.
“Adalberto, inclusive, não queria parcelar o ônibus. Só fez pela amizade que tinha com Paulo Moraes, amigo meu e do vereador. Adalberto não tinha interesse de vender o veículo, mas dada nossa necessidade para atendar demandas de pessoas, pela amizade com Paulo, ele aceitou”, relatou.
Ainda segundo Mário Leal, quando ele, Vado e Paulo Moraes foram pegar o veículo, deu um “probleminha lá”. “Problema besta, e seu Adalberto disse: ‘vereador, deixa o carro aqui, o senhor vem buscar amanhã ou depois de amanhã’. E assim ele fez. Foi entrada de ar. Ajeitou o veículo e dois dias depois o vereador mandou o motorista dele e concunhado buscar. O veículo veio para Salvador, rodou três dias, atendendo pessoas, e ele disse que apresentou outro defeito, que ele tinha mandado consertar e tudo”, disse.
O ex-chefe de gabinete, no entanto, contou que ligou para Adalberto. “Aí ele disse: ‘Não tem problema, pegue a nota fiscal e mandem a cópia que eu divido com vocês. Nota essa que o vereador nunca apresentou do serviço feito. Dois dias depois o veículo estava rodando até o dia que apareceu queimado. Nunca mais tinha apresentado problema”, completou.
Mário Leal disse que, dois meses depois, o proprietário do ônibus ligou para Paulo Moraes e disse que os cheques estavam sem fundos. “Procurei Vado e questionei: ‘que situação é essa? Saímos de Salvador para lidar com pessoas sérias. Tem o nome da gente nessa parada. Sustar cheque? O ônibus está rodando de manhã de tarde e de noite. Você é mentiroso. Assuma seu abacaxi’. Quando chegou a notificação da Justiça no gabinete, liguei pra ele e falei para resolver o abacaxi. Depois dessa situação, ele não falou mais nada comigo. Foi proposital com certeza absoluta. Pode botar ele na minha frente”, desafiou.
Segundo o advogado Ivan Jezler, só há crime de estelionato se houver dolo (intenção) de sustar o cheque para não repassar o valor negociado na compra. O delito é previsto no artigo 171 do Código Penal. A pena, caso haja condenação, vai de 1 a 5 anos de prisão.
O Bahia Notícias tentou insistentemente entrar em contato com o vereador, mas até a publicação desta matéria, ele não respondeu às tentativas.

