sábado, 14 fevereiro, 2026

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Ex-porteiro denuncia ofensas raciais em escola: ‘macaco’ e ‘sub-raça’

Da Redação

Um ex-porteiro de uma escola particular de Campinas (SP) procurou a Polícia Civil após denunciar ter sido vítima de racismo no ambiente de trabalho. Segundo ele, foi chamado por um aluno de “negro sujo”, “macaco” e “sub-raça”. Após relatar o episódio à direção da instituição, acabou desligado do cargo.

O caso ocorreu em 15 de dezembro de 2025, em uma unidade do colégio localizada no distrito de Barão Geraldo. O boletim de ocorrência foi registrado posteriormente, e o documento foi acessado pela imprensa nesta terça-feira (10). A escola informou que irá se manifestar; o texto será atualizado quando houver posicionamento oficial.

Rodnei Ferraz, que atua há duas décadas na área de portaria e trabalhava havia quatro meses na instituição, relatou que três estudantes do ensino médio estavam no local para realizar provas de recuperação.

De acordo com ele, os adolescentes circulavam sem supervisão e entraram em um banheiro, onde começaram a gritar. “Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (…) Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco’”, relatou ao G1.

O porteiro afirmou que ficou atônito com as ofensas. “Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão. E a educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido”, destacou.

Em outro trecho da entrevista, Rodnei desabafou: “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo”.

Crescimento nas denúncias

O episódio ocorre em um contexto de aumento nas denúncias de racismo. Dados do Disque 100 apontam que o estado de São Paulo registrou 1.088 denúncias em 2025, crescimento de 20,2% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 905 registros.

Em Campinas, houve 26 denúncias no último ano, contra 21 no mesmo período anterior.

A Polícia Civil investiga o caso.

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