quarta-feira, 18 fevereiro, 2026

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Ex-presidente do INSS é preso na “Operação Sem Desconto” da Polícia Federal

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi preso nesta quinta-feira (13) durante uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Stefanutto foi demitido do cargo em abril, após ser afastado quando o escândalo de fraudes ao órgão veio a público. Segundo a PF, o esquema funcionou entre 2019 e 2024, desviando valores que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

A defesa do ex-presidente afirmou, em nota, que ainda não teve acesso ao teor da decisão e que “segue confiante, diante dos fatos, de que comprovará a inocência dele ao final dos procedimentos relacionados ao caso”.

Nova fase da Operação Sem Desconto

A prisão de Stefanutto é uma das 10 ordens de prisão cumpridas nesta nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Entre os investigados estão o ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira, que usará tornozeleira eletrônica, e os parlamentares Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Edson Araújo (PSB-MA), ambos alvos de mandados de busca e apreensão. Até a última atualização, seis pessoas haviam sido presas.

Além de deputado, Edson Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades investigadas pela PF. Em novembro do ano passado, o deputado Duarte Jr. (PSB-MA) registrou um boletim de ocorrência contra Araújo por suposta ameaça, enquanto presidia a CPMI que apura os descontos fraudulentos.

A operação em números

Ao todo, a PF cumpre 63 mandados de busca e outras medidas cautelares no Distrito Federal e em 14 estados: Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação de patrimônio.

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que os suspeitos realizavam descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização. As cobranças apareciam como mensalidades de associações de aposentados, mas as vítimas não haviam se associado nem permitido os descontos.

De acordo com o ministro da Controladoria Geral da União, Vinícius de Carvalho, essas associações diziam oferecer serviços jurídicos e descontos em academias e planos de saúde, mas não possuíam estrutura para prestar os serviços anunciados.

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