quarta-feira, 18 fevereiro, 2026

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Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia celebra 476 anos reunindo fé, tradição e procissão

A Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia voltou a transformar as ruas do Comércio nesta segunda-feira (8), mantendo viva uma tradição que atravessa 476 anos de fé, cultura e memória baiana.

Desde a madrugada, milhares de devotos participaram de missas, cânticos e rituais que reafirmam a importância histórica da padroeira da Bahia, cuja imagem chegou ao estado em 1549 trazida por Tomé de Souza.

As homenagens começaram às 5h com a alvorada, seguida de duas missas celebradas na basílica. Às 8h, a Solene Missa Campal reuniu uma multidão em frente ao santuário, em uma celebração presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sergio da Rocha.

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) e a vice-prefeita Ana Paula Matos acompanharam a cerimônia, marcada por forte simbolismo religioso e cultural.

Em sua homilia, Dom Sergio reforçou o sentido espiritual da festa, lembrando que a devoção mariana inspira valores essenciais do período que antecede o Natal.

“A Festa da Conceição não é apenas uma homenagem à Mãe de Jesus, mas também um chamado à preparação interior”, afirmou. Ele destacou que a figura de Maria “inspira esperança, fé, fraternidade e o compromisso com o amor ao próximo”.

Após a missa campal, a tradicional procissão percorreu as ruas do Comércio levando as imagens de Nossa Senhora da Conceição da Praia, Deus Menino, Santa Bárbara, Senhor do Bonfim, Santa Dulce dos Pobres e São José. O cortejo, acompanhado por rezas e cânticos, retornou à basílica para a bênção do Santíssimo Sacramento, encerrando a programação da manhã.

O prefeito Bruno Reis ressaltou o peso histórico da celebração, considerada a festa religiosa mais antiga do Brasil. “A primeira festa religiosa do Brasil completa, este ano, 476 anos. Estamos aqui para render nossas homenagens (…) e renovar as esperanças”, disse. Ele afirmou ainda que o ciclo das festas populares começa com otimismo. “Vamos bater recorde de visitantes, gerar emprego, renda e fortalecer a capacidade de investimento da cidade.”

A vice-prefeita Ana Paula Matos destacou o caráter identitário da festa, reforçando que ela sintetiza elementos da cultura popular baiana. “É um momento muito especial, a abertura das festas populares da Bahia, quando nosso povo se revitaliza pela força da fé”, afirmou. Ela também lembrou que as festas surgidas da tradição católica ganharam as ruas ao longo dos séculos. “São festas do coletivo, da mistura de religiões, da força das nossas raízes.”

Para ela, o papel do poder público é essencial para preservar essa memória e garantir que a fé também gere oportunidades. “Organizar a cidade, garantir infraestrutura e investir nessas manifestações é assegurar que o povo continue expressando sua fé e tenha oportunidades por meio do turismo”, completou.

A origem da devoção remonta ao século XVI, quando a imagem da santa foi instalada em uma capela do Comércio, dando início a um vínculo espiritual que moldou parte da identidade da cidade.

Em 1946, a basílica foi elevada a sacrossanta pelo Vaticano, reforçando seu papel de referência para fiéis baianos e visitantes. O dia 8 de dezembro é feriado municipal em Salvador, o que amplia o fluxo de devotos e turistas.

A celebração deste ano foi precedida por uma intensa programação preparatória. A Solene Novena, encerrada no domingo (7), contou com missas diárias e uma celebração presidida pelo bispo auxiliar, Dom Gilvan Pereira Rodrigues. O período reforçou a espiritualidade da festa e intensificou a expectativa para o dia dedicado à padroeira.

Durante a missa campal, Dom Sergio também destacou o vínculo afetivo entre os devotos e Maria. “Temos a grande alegria de celebrar a padroeira da Bahia. Viemos ao seu santuário como filhos que visitam a mãe, trazendo nosso carinho e aprendendo com Maria como viver no mundo de hoje”, afirmou. Ele concluiu lembrando o sentido fraterno da celebração: “Maria nos ensina a caminhar juntos, unidos como irmãos, em um mundo tão necessitado de amor, esperança e paz”.

A Festa da Conceição integra oficialmente o calendário das grandes celebrações populares de Salvador. O ciclo começou em 4 de dezembro com a Festa de Santa Bárbara e segue até o Carnaval, movimentando a cidade com rituais religiosos, eventos culturais e manifestações populares que reforçam a identidade do povo baiano.

A programação dos próximos meses inclui a apresentação de Frei Gilson no dia 25, o show de Roberto Carlos no dia 26, o Festival da Virada de 27 a 31 de dezembro e a Festa de Bom Jesus dos Navegantes entre 31 de dezembro e 1º de janeiro.

Em janeiro, ocorrem a Lavagem do Bonfim (dia 15) e a Festa de São Lázaro (dia 25). Fevereiro abre com a Festa de Iemanjá (dia 2) e segue com os eventos pré-carnavalescos Furdunço, Fuzuê, Pipoco e Habeas Corpus, até o início oficial do Carnaval, no dia 12.

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