domingo, 25 janeiro, 2026

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“Fim da escala 6×1 melhora também a produtividade”, diz Boulos

Da Redação

O debate sobre o fim da Escala 6X1 no Brasil voltou ao centro da agenda do governo federal. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), Guilherme Boulos, afirmou que a mudança na jornada de trabalho é uma das prioridades do governo para 2026 e pode avançar ainda neste semestre no Congresso Nacional.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (21), durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, que reúne rádios e portais de notícias de diversas regiões do país. Na entrevista, Boulos detalhou a proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salários.

“A proposta de escala de trabalho que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, de 5×2, 40 horas semanais. Hoje o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário”, afirmou o ministro.

Atualmente, a Escala 6X1 permite apenas um dia de descanso semanal, modelo criticado por sindicatos e especialistas por provocar desgaste físico e emocional, além de reduzir o convívio familiar dos trabalhadores.

Segundo Boulos, o diálogo com o Congresso tem avançado. “Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6×1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse.

O ministro reforçou que a proposta vale para todos os setores da economia e está baseada em dados concretos. “Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores”, pontuou.

Produtividade e exemplos internacionais

Boulos destacou que a redução da jornada não significa queda de produtividade. Pelo contrário, citou experiências internacionais que apontam resultados positivos. “A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4×3, e a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%”, afirmou.

O ministro também mencionou os Estados Unidos e o Japão. “Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos e a produtividade aumentou em média 2%. No Japão, no caso da Microsoft do Japão, a jornada 4×3 aumentou em 40% a produtividade individual do trabalhador”, exemplificou.

No Brasil, segundo ele, os resultados também são positivos. “Houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo”, relatou.

Desgaste e qualidade de vida

Para o ministro, o principal impacto da Escala 6X1 é sobre a qualidade de vida dos trabalhadores. “Uma coisa é você trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que jornadas mais equilibradas permitem qualificação profissional. “Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. O fim da escala 6×1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil”, defendeu.

Além da discussão sobre a jornada de trabalho, Boulos também apresentou avanços nos debates sobre a regulação dos aplicativos de entrega, que busca ampliar a proteção social dos entregadores, e sobre a proposta de participação popular no orçamento federal, conhecida como Orçamento do Povo.

O programa “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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