segunda-feira, 26 janeiro, 2026

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Hamilton Assis critica falta de ADIs nas escolas municipais e acusa prefeito de omissão

O vereador Professor Hamilton Assis (PSOL) voltou a cobrar da Prefeitura de Salvador a regulamentação do cargo de Assistente de Desenvolvimento Infantil (ADI) após nova denúncia sobre a falta de profissionais de apoio nas escolas municipais. O debate ganhou força depois que o influenciador Wanderlei Luz, pai de uma criança autista, relatou nas redes sociais as dificuldades enfrentadas por famílias atípicas para garantir educação inclusiva.

Hamilton Assis, professor da rede municipal há 20 anos e atualmente licenciado para exercer o mandato, lembrou que o Projeto de Indicação nº 209/2025, de sua autoria, não foi aprovado. A proposta solicitava ao prefeito Bruno Reis a criação e regulamentação do cargo de ADI no Plano de Carreira e Remuneração dos servidores da educação.

“Essa denúncia não começou hoje, nem agora. Infelizmente, como professor da rede municipal acompanhei no dia a dia essa realidade e por isso, quando chego à Câmara trago essa proposta que visa justamente suprir essa carência do município. Há anos as famílias alertam para a ausência de apoio em sala de aula, e a prefeitura segue terceirizando um serviço essencial”, afirmou.

O vereador destacou que, sem regulamentação, as ADIs continuam sendo contratadas de forma terceirizada, com baixos salários, alta rotatividade e demissões antes mesmo do fim do ano letivo. Segundo ele, esse cenário prejudica diretamente o desenvolvimento das crianças com deficiência, que necessitam de acompanhamento permanente. Especialistas também alertam que a troca constante de profissionais compromete o processo pedagógico e o vínculo socioemocional dos estudantes.

O gabinete do vereador também recebeu mães atípicas que relataram outros problemas, como a retirada arbitrária do cartão de gratuidade no transporte. O benefício só pode ser utilizado quando a criança está presente, o que impede deslocamentos para levar estudantes à escola ou buscar medicação. “Isso faz sentido? Acaba que a educação e o tratamento dessas crianças são interrompidos por falta de sensibilidade e compreensão da realidade dessas famílias”, questionou Hamilton Assis.

Concurso e cobrança à prefeitura

Para Hamilton Assis, falta vontade política do prefeito Bruno Reis em reconhecer oficialmente o cargo de ADI e permitir a abertura de concursos públicos com remuneração digna. Ele afirma que o reconhecimento garantiria estabilidade, evitaria terceirizações e fortaleceria a política municipal de educação inclusiva.

“Reconhecer o cargo faz com que as vagas sejam preenchidas através de concurso, que o município tenha responsabilidade com a folha de pagamento e o município não tem interesse em melhorar a qualidade do ensino, nem implementar a educação inclusiva que só existe no papel. O Wanderlei está correto em questionar a contratação de shows de altíssimo custo, enquanto escolas estão abertas com goteiras, sem infraestrutura e acessibilidade, sem remuneração digna aos trabalhadores e trabalhadoras. É uma triste realidade”, diz o vereador.

Hamilton reafirmou que continuará pressionando a Prefeitura por políticas permanentes de inclusão, realização de concurso público para ADIs e garantia de direitos às famílias atípicas. “Educação inclusiva não se garante com improviso. É preciso planejamento, valorização profissional e compromisso real com as crianças que mais precisam”, concluiu.

Contexto adicional
A discussão sobre regulamentação das ADIs tem crescido em diversas capitais brasileiras. Os profissionais atuam diretamente no suporte pedagógico, emocional e operacional de crianças com deficiência, mas ainda não possuem carreira estabelecida em muitos municípios. A ausência de estabilidade e a alta rotatividade são apontadas por entidades da área como obstáculos para a efetivação de uma educação realmente inclusiva.

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