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Lojistas reclamam de prejuízos na Barroquinha


Publicado em: 23/02/2018 8:26
Por: Da Redação


Em um ano, entre 2016 e 2017, o comerciante Michel Nader, 48 anos, dono de uma loja de roupas na Barroquinha, viu o volume de vendas cair. De R$ 50 mil por mês passou para, no máximo, R$ 10 mil. Desde então, contabiliza, cinco dos seis funcionários foram dispensados.

Não muito distante dali, numa transversal da Rua do Paraíso, o síndico Roberval Figueiredo, 60, responsável por administrar o Residencial São Bento, condomínio com 40 pontos comerciais, tem 35 inquilinos com aluguel inadimplente.

As duas situações, que se espalham pelos passeios da Barroquinha e da Baixa dos Sapateiros, onde a principal atividade é comercial, foram agravadas após mudanças recentemente promovidas no transporte público de Salvador, segundo os donos de lojas, funcionários e transeuntes.

Eles afirmam que, após a otimização de linhas de ônibus para alimentar os vagões do metrô, 21 itinerários deixaram de circular naquelas bandas – o que, para quem depende das vendas em meio a uma crise econômica, significa ainda menos clientes desembarcando no Terminal de Rodoviário da Barroquinha.

Uma pesquisa da Associação dos Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha (Albasa) aponta, por exemplo, que 63% dos consumidores que frequentam o comércio do bairro chegam lá utilizando ônibus.

Indicadores

Nas contas do síndico Roberval Figueiredo, 47 linhas fixas passavam pelo local, mas agora são apenas 26 – uma redução de 44,6%.

Contatada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) diz, porém, que não usa o número de linhas como critério para avaliar a eficiência do serviço, mas, sim, a quantidade de passageiros atendidos em cada área.

Nesse quesito, dados do órgão mostram que 1.986 passageiros circularam a menos por dia na região da Barroquinha em 2017. Eram 53.311, em 2016, ante 51.325 no ano passado, indica uma tabela divulgada pela pasta.

Em nota, a Semob afirmou também que “o atendimento das linhas de ônibus do transporte urbano para a região da Barroquinha foi mantido” em 700 viagens por dia, com intervalos de até seis minutos.

Imagem da crise

O visual de quem circula pela região, porém, contrasta com os números. A circulação de veículos, no meio da tarde, é coisa rara, permitindo até que pedestres andem no meio da pista sem a preocupação com a passagem dos ônibus.

O comerciante Michel Nader, citado no começo da reportagem, tem outros dois pontos comerciais fechados – assim desde que os antigos inquilinos, quebrados, desistiram do negócio.

Ele mesmo, vendendo uma peça de roupa aqui e outra ali, resiste pela história, diz. “Minha família tem 45 anos de Baixa dos Sapateiros. Se eu não fosse proprietário, já tinha entregado também. Mas estou levando por enquanto”, pondera.

Há quase cinco anos dona da Alegria do Lar, loja que emprega oito funcionários e vende utensílios de cozinha com foco em confeitaria, a empresária paulistana Mayumi Morena, 35, estima uma queda de 55% no volume de vendas.

No último dezembro, o estabelecimento, que fica em dois dos pontos comerciais do Residencial São Bento, tinha vendido a meta esperada para o mês de junho, seis meses antes.

A desesperança com os resultados, conta Morena, também ajuda a prejudicar o fluxo de negócios, já que nem mesmo o estoque é reabastecido como deveria.

“O cara chega em dezembro e me pede quatro mil forminhas, mas eu não tenho, porque eu não ia comprar uma quantidade dessa sem saber se ia vender”, exemplifica.

O síndico Roberval Figueiredo explica que as lojas especializadas em artigos de festa ainda conseguem manter o fluxo, mas principalmente aos sábados. Apocalíptico, ele diz temer pelo fim daquela dinâmica comercial da região.

“Vai ter solução ou vai acabar a Barroquinha? Agora vamos ver o que vai acontecer. Em 2014, eu dizia que viria um período triste pela frente. Só nunca imaginei que os dias tristes seriam tão tristes assim”, pergunta, responde e sentencia, emendando uma frase na outra, em um monólogo de quem vive há 40 anos na Barroquinha.

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