quarta-feira, 21 fevereiro, 2024

EXPEDIENTE | CONTATO

Mercado Modelo recebe 80% dos turistas

Cartão postal da cidade reúne lojas, bares, restaurantes e manifestações culturais para atrair público; saiba mais

Na rota de atrativos turísticos mais procurados da cidade, o Mercado Modelo, equipamento histórico e cultural que passou por reformas de requalificação e restauração, se destaca como cartão postal e costuma receber 80% dos turistas que visitam Salvador, segundo afirmou o prefeito Bruno Reis durante reinauguração do ponto turístico na tarde desta segunda-feira (18). De acordo com ele, a expectativa, inclusive, é de que essa taxa aumente após as melhorias implementadas no local e com o aumento do fluxo de turistas na cidade, que deve receber quatro milhões de visitantes até março de 2024.

“Se hoje 80% dos turistas que vêm a Salvador visitam o Mercado Modelo, a partir do dia 5 de janeiro, quando abrirmos a galeria para visitação, podem ter certeza que 100% dos visitantes vão vir ao Mercado Modelo. Esse equipamento tem importância significativa para o turismo de Salvador, que graças a Deus está bombando”, disse.

“É o primeiro lugar em destinos procurados na Decolar.com, primeiro lugar na Airbnb e primeiro lugar no número de turistas e visitantes do Brasil, deixando para trás o Rio de Janeiro e outras capitais do Nordeste. Essa obra veio nos ajudar a nos consolidar como principal destino turístico do Brasil. Vai gerar muito emprego, renda e vai fazer nossa economia crescer”, garantiu Bruno Reis.

Diante das melhorias implementadas durante as obras de requalificação e restauração do prédio, um dos maiores beneficiados foram os permissionários, que dão vida ao comércio no local. “Essa reforma vai impactar de forma positiva os permissionários, porque o mercado estando todo novinho com certeza vai atrair mais visitantes e gerar um acréscimo nas vendas. Todos estamos muito felizes”, afirmou Analu Garrido, presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Modelo (Ascomm).

Quem vai ao Mercado Modelo, encontra um pouco de tudo. No térreo, os primeiros boxes são de bares, que dão boas-vindas aos turistas com petiscos e bebidas de todos os tipos. Localizado no boxe 5, no bar de Jair Conceição, 54 anos, a dupla campeã de vendas é a batida de coco e lambreta. Uma dose da bebida alcóolica custa R$7, enquanto uma dúzia da lambreta sai por R$30. “Os preços aqui são bons, fica tudo em conta, a depender do cliente, ele chegando e chorando, a gente negocia. Eu já servi até o presidente Lula com uma dose de cachaça seleta”, conta.

Ao adentrar o prédio, ainda no térreo, tanto à esquerda quanto à direita é possível encontrar boxes de lojas comercializando lembrancinhas da cidade, sejam elas roupas, bonés, chapéus ou artesanatos. É lá, inclusive, onde está localizada a loja mais antiga do Mercado Modelo, administrada por Abdala Abib Neto, 71 anos, que há 62 anos é referência dentro do equipamento cultural vendendo camisas com as cores do Olodum, acessórios, instrumentos musicais pequenos e artesanatos.

Após subir as escadas, a rampa ou o elevador, quem visita o Mercado Modelo encontra uma pequena passarela que dá uma vista do alto do fluxo de pessoas no térreo e rende bons registros fotográficos. No segundo piso, um caixa eletrônico 24 horas e uma barbearia são os diferenciais entre as lojas existentes no mercado. Mas se engana quem pensa que todas as lojas por lá são iguais. Na loja 88, administrada pelo comerciante Weslei Cavalcante da Silva, 31 anos, um gostinho do interior está inserido nos alimentos e produtos comercializados ali.

“Aqui nós temos vários produtos artesanais, como pimenta, leite de coco, licores de Euclides da Cunha e da região do Sertão. Vendo também ornamentos de araras no cipó. Tenho produtos diferentes, que são as cocadas caseiras e o doce de umbu, que vem da agricultura familiar de Canudos, Curaçá e Uauá. O produto mais barato é a farinha de mandioca, que custa R$15 e o mais caro é a cachaça Matriarca, que sai por R$250”, detalha.

Também no segundo piso funcionam dois restaurantes que quase sempre estão lotados. No Camafeu de Oxóssi, à direita da cobertura, os frutos do mar e os petiscos são os destaques principais do cardápio. Entre os petiscos, o acarajé é o mais em conta no cardápio, custando R$25. Camarões ao alho e azeite de oliva, camarões na cerveja e camarões a milanesa são os petiscos mais caros, custando R$59.

Os frutos do mar também são uma força no Restaurante Maria de São Pedro, que tem sua história iniciada em Santo Amaro, mas consolidada em Salvador, mais especificamente no Mercado Modelo. É na cobertura do ponto turístico, à esquerda, que as moquecas deliciam os turistas que anseiam degustar frutos do mar e bastante dendê. Por lá, a moqueca mais barata é a vegetariana, vendida a R$88, enquanto a mais cara é a moqueca de lagosta, que sai por R$279.

No espaço dedicado ao restaurante e também nos corredores, as baianas fazem o receptivo e posam para fotos. Nesses espaços, manifestações culturais de capoeira e apresentações musicais entretém o público que sempre para apreciar a cultura local e fazer fotos.

Por fim, ao fim do tour no Mercado Modelo, o subsolo misterioso, que ficou fechado por dez anos, passou por reforma e a partir do dia 5 de janeiro vai abrigar uma galeria de arte, reunindo obras de artistas locais. O espaço deve se tornar mais uma atração turística da cidade e aumentar o fluxo de visitantes do mercado.

Novo Mercado Modelo foi reinaugurado pela Prefeitura de Salvador na tarde desta segunda-feira (18). Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

Arquivos