sábado, 21 março, 2026

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Morre Juca de Oliveira aos 91 anos, ícone das artes cênicas brasileira

Da Redação

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, conforme comunicado divulgado pela família na madrugada deste 21 de março de 2026. O artista estava internado desde o dia 13 na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em estado delicado devido a pneumonia e problemas cardiológicos.

“Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e diretor Juca de Oliveira, ocorrido neste madrugada de 21 de março de 2026, aos 91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema. Membro da Academia Paulista de Letras, destacou-se como intérprete, mas também como autor e diretor de obras relevantes, marcadas por olhar crítico, sensibilidade social e forte presença de público”, diz a nota.

A família também agradeceu as manifestações de carinho e solidariedade recebidas após a confirmação da morte.

Mais de sessenta anos de carreira

Natural de São Roque, no interior de São Paulo, José Juca de Oliveira Santos iniciou sua trajetória artística após abandonar o curso de Direito na Universidade de São Paulo. Ele também deixou um emprego em banco para estudar na Escola de Arte Dramática, onde conheceu a atriz Glória Menezes.

Sua estreia nos palcos ocorreu com a peça “Frei Luis de Sousa”, que lhe rendeu convite para integrar o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). No grupo, atuou em montagens como “A Semente” e “A Morte do Caixeiro Viajante”.

“Eu descobri, naquele momento, que eu podia ser um ator. Foi absolutamente genial”, afirmou o artista em entrevista ao Memória Globo.

Nos anos 1960, liderou o Teatro de Arena e participou ativamente da resistência cultural durante a ditadura militar, ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. A perseguição política o levou ao exílio na Bolívia após o fechamento do teatro.

Trajetória na televisão

De volta ao Brasil, iniciou carreira na TV com a novela “Quando o Amor é Mais Forte”, de 1964, na TV Tupi. Ao longo da carreira, trabalhou com autores como Janete Clair, Walter George Durst e Lauro César Muniz.

Em 1968, assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo, atuando na regulamentação da profissão, com pautas como limite de horas de gravação e acesso prévio aos textos.

Entre seus papéis mais marcantes está o cientista Albieri na novela “O Clone” (2001), onde interpretou um geneticista obcecado pela clonagem humana. Também participou de produções como “Saramandaia” (1976), “Fera Ferida” (1993) e “Avenida Brasil” (2012).

Seu trabalho mais recente na TV foi em “O Outro Lado do Paraíso” (2017), no papel do dr. Natanael Montserrat. No cinema, esteve em produções recentes como os documentários “Toquinho: Encontros e Um Violão” (2024) e “Milton Gonçalves: Além do Espetáculo” (2025).

Legado no teatro

No teatro, manteve atuação ativa até os últimos anos. Em 2019, estrelou a peça “Mãos Limpas”, ao lado de Taumaturgo Ferreira. Também foi autor da comédia “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia Que A Nossa”, que lhe rendeu o prêmio de melhor autor no Prêmio APETESP de Teatro, em 1990.

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