domingo, 25 janeiro, 2026

EXPEDIENTE | CONTATO

MP da Bahia deflagrou quase 100 operações contra o crime em 2025

O Ministério Público da Bahia (MP da Bahia) deflagrou 96 operações em 2025 contra grupos e esquemas criminosos, com foco em crimes como tráfico de drogas e de armas, corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O número representa um dos maiores volumes de ações já realizados pela instituição.

No enfrentamento às organizações criminosas, as operações mais que triplicaram nos últimos cinco anos, passando de 30 em 2021 para 92 em 2025, refletindo o aumento da complexidade das investigações e o mapeamento detalhado das redes de contatos e movimentações financeiras dos investigados.

A pedido do MP da Bahia, a Justiça determinou o bloqueio de mais de meio bilhão de reais em bens e valores, além da indisponibilidade de veículos, embarcações, aeronaves, imóveis e semoventes. Os bens serão avaliados e encaminhados para leilão público, em medidas que visam a descapitalização das facções criminosas.

No combate à sonegação fiscal, com a deflagração de quatro operações e ações preventivas, o MP da Bahia, no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira), colaborou para a devolução de R$ 145,2 milhões aos cofres públicos estaduais.

Os resultados são fruto da atuação integrada dos Grupos de Atuação Especial do MP da Bahia, como o Gaeco, Gaesf, Geosp e Gaep, em parceria com forças de segurança pública e outros órgãos estaduais e federais, alcançando inclusive outros estados em ações conjuntas com outros Ministérios Públicos.

“O enfrentamento ao crime organizado exige cooperação permanente, investimento contínuo em tecnologia e capacitação das equipes, além de uma atuação interinstitucional firme e coordenada. A integração entre o Ministério Público e as forças de segurança pública do Estado tem sido decisiva para ampliar o alcance das investigações, promover a asfixia financeira das organizações criminosas, quebrar suas estruturas logísticas e fortalecer a resposta estatal, assegurando resultados concretos em todo o território baiano”, destacou o procurador-geral de Justiça Pedro Maia.

O crescimento das ações se intensificou a partir de 2023, com 45 operações, e avançou em 2024, quando o número chegou a 75, contra 30 em 2021 e 2022. Em 2025, o MP da Bahia encerrou o ano com 92 operações, o maior volume da série histórica.

O aumento das operações também refletiu no número de mandados de busca e apreensão, que saltou de 117 em 2022 para 252 em 2025, além do cumprimento de mais de uma centena de mandados de prisão.

As ações abrangeram diferentes modalidades criminosas, como tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio, lavagem de dinheiro, atuação de facções criminosas e corrupção envolvendo agentes públicos, com média superior a sete operações mensais. O período também foi marcado pelo fortalecimento dos Gaecos Norte e Sul e pelo uso intensivo de ferramentas de inteligência.

Milícias e sistema prisional

Uma das frentes de atuação do MP da Bahia é o combate a grupos armados que atuam paralelamente ao Estado, muitas vezes formados por agentes ou ex-agentes policiais. As operações contam com a atuação integrada do Gaeco e do Geosp, em parceria com a Força Correcional Especial Integrada da SSP (Force/SSP).

No sistema prisional, as ações tiveram participação do Gaep, em operações conjuntas com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização Social (Seap), voltadas ao enfrentamento de crimes complexos no ambiente carcerário.

Para o promotor de Justiça Luiz Ferreira Neto, coordenador do Gaeco, “os resultados alcançados refletem o uso cada vez mais qualificado da inteligência nas investigações, com análise integrada de dados, interceptações e técnicas especiais que permitem identificar estruturas financeiras e operacionais das organizações criminosas. Esse trabalho só é possível com a atuação conjunta dos grupos especializados do Ministério Público e das forças policiais, garantindo investigações mais profundas, operações mais eficientes e maior impacto no enfrentamento ao crime organizado”.

Algumas operações de destaque:

Operação El Patrón:  Em 2025, houve a continuidade e finalização da instrução da ação penal ajuizada em dezembro de 2023, decorrente da primeira fase da operação “El Patrón”, que teve como objetivo desarticular organização criminosa, responsável por crimes de lavagem de dinheiro, extorsão e exploração do jogo do bicho em Feira de Santana e cidades circunvizinhas.  Ela é liderada por Kléber Cristian Escolano de Almeida, que também é deputado estadual, conhecido como Binho Galinha. No dia 1º de outubro, foi deflagrada a operação “Estado Anômico”, resultado da continuidade das investigações, para cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão. A ação culminou na prisão preventiva do parlamentar estadual no dia 3 de outubro, que se entregou às autoridades após não ter sido encontrado nos seus endereços conhecidos. Após o cumprimento do mandado, a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) se posicionou pela validade da prisão mediante procedimento de votação junto a seus integrantes, corroborando a legitimidade do trabalho que vem sendo realizado.

Premium Mandatum: A segunda fase da operação “Premium Mandatum”, deflagrada no dia 27 de março, por meio do Gaeco Norte, resultou na prisão temporária de quatro suspeitos de integrar uma das maiores facções criminosas do Brasil, com atuação no tráfico de drogas, prática de homicídios, lavagem de dinheiro, entre outros crimes. A pedido do MPBA, com base nas investigações do Gaeco Norte, a Vara Criminal de Senhor do Bonfim tornou indisponíveis R$ 44 milhões em bens dos investigados.

Operação Grilagem S.A.: A operação deflagrada no dia 4 de setembro pelo Ministério Público da Bahia e Secretaria de Segurança Pública (SSP) em Salvador, Candeias e Camaçari resultou na prisão de oito pessoas. Elas foram investigadas por operacionalizar rede criminosa especializada na apropriação indevida de terras urbanas e rurais (grilagem) e por outros crimes, como corrupção ativa e passiva. Também foram cumpridos onze mandados de busca e apreensão.

Operação Fogo Cruzado: Deflagrada no dia 2 de dezembro, investiga a sonegação de mais de R$ 14 milhões em impostos aos cofres estaduais por empresários do setor de comércio varejista de armas e munição, além de crime de associação criminosa. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Feira de Santana, Irecê, Jussara e Coração de Maria e uma ordem judicial de prisão temporária em Feira contra o empresário apontado como líder do grupo criminoso.

Operação Terra Justa: A operação teve como alvos os integrantes da milícia envolvida em atos de intimidação e violência em conflitos fundiários no oeste da Bahia. Ela foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), de forma integrada com a Polícia Civil e com apoio da Corregedoria Geral da Polícia Militar da Bahia e do Comando de Policiamento de Missões Especiais, por meio da Cipe Cerrado. A operação cumpriu três mandados de prisão contra o grupo criminoso, que foi denunciado à Justiça pelo MPBA por crime de milícia privada. Também deu cumprimento a quatro mandados de busca e apreensão nos municípios de Correntina e Jaborandi.

Operação Fauna Protegida: Deflagrada no dia 5 de setembro, a operação foi realizada em articulação com o Ceama (Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente) e prendeu um homem apontado como um dos maiores traficantes de animais silvestres do Brasil. Ele foi investigado por liderar organização criminosa de alcance interestadual, com atuação em várias regiões da Bahia e outros estados, com prática sistemática de crimes de tráfico de animais silvestres, maus-tratos, receptação qualificada e lavagem de dinheiro. A operação ocorreu em Salvador e em Mascote, extremo sul do estado.

Operação Redenção: A operação foi deflagrada no dia 1º de maio pelo MPBA, em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e a Polícia Militar (PMBA), na unidade prisional de Eunápolis. O objetivo foi retirar materiais ilícitos e apurar denúncias sobre a utilização de aparelhos celulares por internos. A ação faz parte de um esforço integrado para fortalecer a segurança e a ordem nas unidades prisionais do estado, combatendo a comunicação entre detentos e agentes do crime fora das unidades prisionais e práticas que ameaçam a disciplina e o controle do sistema penitenciário. A operação contou com a participação do Gaeco Sul e do Gaep, do MPBA; do Grupo Especial de Operações Prisionais (Geop), da Seap; e do Comando de Policiamento Regional do Extremo Sul, da PMBA.

Arquivos