segunda-feira, 9 março, 2026

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Museu Geológico passa a exibir primeiros tectitos identificados no Brasil

Da Redação

O Museu Geológico da Bahia, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, celebra 51 anos de funcionamento com uma novidade científica no acervo. As amostras dos geraisitos, primeiros tectitos identificados no Brasil, passam a integrar a coleção do equipamento cultural, gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

Foto: Raí Victor/SDE

O material foi doado pelo professor doutor Álvaro Penteado Crósta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e pelo pesquisador Gabriel Gonçalves Silva, da Universidade de São Paulo (USP). As novas peças já podem ser observadas pelos visitantes na sala de meteoritos do museu.

Os tectitos são rochas de vidro formadas a partir do impacto de grandes meteoritos na terra, que acabam se depositando a grandes distâncias do ponto de impacto. Até então, apenas cinco campos de tectitos eram reconhecidos no mundo. Com a descoberta em Minas Gerais, o Brasil passa oficialmente a integrar esse mapa científico, com a denominação “geraisitos”, em referência ao estado mineiro.

Pesquisadores também identificaram amostras nos estados da Bahia e do Piauí, o que indica a existência de um campo com cerca de 900 quilômetros de extensão.

Visualmente, os geraisitos apresentam aparência preta e opaca, mas, quando expostos à luz intensa, tornam-se translúcidos, revelando tonalidade verde-acinzentada. As amostras podem variar em cores, tamanhos e formatos, incluindo formas semelhantes a gotas ou esferas, chamadas de aerodinâmicas.

Do ponto de vista químico, os materiais são classificados como dacito e riolito, com alto teor de sílica e baixo teor de água. A idade máxima estimada é de aproximadamente 6,3 milhões de anos, obtida por meio do método de datação ⁴⁰Ar/³⁹Ar (método de datação radiométrica de alta precisão utilizado na geologia e arqueologia para determinar a idade de rochas, minerais e materiais vulcânicos). As pesquisas continuam em desenvolvimento, com participação de cientistas brasileiros e de outros países.

A coordenadora técnica do museu, Elizandra Pinheiro, destaca a relevância científica da descoberta.

“A descoberta dos tectitos (vidros de impacto) no Brasil é de grande relevância para a ciência e para a comunidade científica mundial, pois possibilita linhas de pesquisa pouco estudadas em nosso território sobre a história geológica e eventos extraordinários que reconstruíram e moldaram a crosta terrestre. O Geraisito representa uma das raras ocorrências desse material. Para o MGB, o acesso à amostra contribui para o enriquecimento do acervo, pesquisa e a popularização sobre o tema.”

51 anos do Museu Geológico da Bahia

O Museu Geológico da Bahia (MGB) foi inaugurado em 4 de março de 1975 e é considerado o primeiro museu científico e de geologia do estado. Desde então, tornou-se um importante centro de pesquisa, divulgação científica e preservação do patrimônio geológico baiano.

O espaço conta com 15 exposições temáticas, incluindo os salões de Rochas Ornamentais, Fósseis da megafauna baiana e a sala Universo/Sistema Solar.

Com um acervo que ultrapassa 20 mil peças, o museu oferece experiências interativas sobre meteoritos, minerais e pedras preciosas. O local também possui cinema, café e abriga a obra Flor de Pedras, do artista plástico Juarez Paraíso.

O museu funciona de terça a sexta-feira, das 13h às 18h, e aos sábados e domingos, das 13h às 17h. Visitas pedagógicas para grupos a partir de 15 pessoas podem ser agendadas pelo telefone (71) 3115-7971 ou pelo e-mail mgb@sde.ba.gov.br.

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