quinta-feira, 19 fevereiro, 2026

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Novembro Pretinho encerra ciclo com celebração da infância negra

O projeto Novembro Pretinho encerra nesta sexta-feira (14) uma série de atividades dedicadas à celebração da infância negra, com programação gratuita no Espaço Boca de Brasa Subúrbio 360, das 14h às 16h30. A iniciativa integra o ciclo iniciado no festival Julho das Pretinhas e reúne arte, educação, ancestralidade e valorização da identidade negra.

Realizado pelo Instituto Calu Brincante e pelo Bonde da Calu, em parceria com a Prefeitura de Salvador por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), o evento recebe crianças, artistas, educadores e famílias em um encontro voltado à memória e ao pertencimento.

A programação começa com a Feira da Criatividade, que promove um balcão de trocas de livros de literatura preta infantil, incentivando o acesso a obras de autores negros. Também integra a agenda a Mostra das Ações Formativas, que apresenta experiências realizadas em escolas e instituições parceiras, como Escola Madre Judite, Projeto Sódomo da banda Didá e o teatro infantil da Companhia Encruzilhada.

Para Will Araújo, coordenador geral dos espaços Boca de Brasa, as ações de julho e novembro reforçam a importância de promover espaços que valorizam a infância negra. “São espaços de pertencimento e autoestima também para as crianças negras da comunidade periférica, estimulando o reconhecimento da própria identidade por meio das expressões artísticas”, destaca.

Ele avalia que o Subúrbio 360 é o local ideal para concluir o ciclo. “O encerramento em um espaço municipal localizado na nossa periferia sela o compromisso do poder público de levar cultura e fortalecer o protagonismo negro dentro de territórios muitas vezes marginalizados”, afirma.

A homenagem integra o encerramento desta edição, com a entrega do Troféu Julhinho e da Medalha Calu para alunas, alunos e instituições que se destacaram em iniciativas voltadas ao protagonismo feminino preto e à promoção da igualdade racial.

Para a atriz e produtora Lucila Laura, a conclusão do projeto representa a síntese de um ciclo de celebração da infância negra. “É o fortalecimento da ideia de que educar é também um ato de libertar”, avalia. Ela lembra que o Julho das Pretinhas começou ainda em maio, circulando por diversas regiões de Salvador com iniciativas como o Circuito Letras Pretinhas.

A atriz Cássia Valle ressalta que os dois festivais evidenciam o potencial de integrar educação, arte e ancestralidade em espaços públicos. “O Novembro Pretinho é o momento de celebrar o que construímos juntos, com as crianças, escolas e famílias. Reafirmar o brincar, o aprender e o sonhar”, afirma.

O encerramento artístico será com o Recital Maria Felipa, espetáculo que reafirma o espírito do festival e presta homenagem a uma das principais figuras da resistência feminina na história da Bahia.

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