terça-feira, 27 janeiro, 2026

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Protetor solar deve ser usado o ano todo e não somente na praia, alertam dermatologistas

O uso de protetor solar costuma ganhar força no verão, antes da praia ou da piscina, mas especialistas alertam que o maior risco está justamente nos meses em que o hábito é deixado de lado. A maior parte da radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida vem da exposição cotidiana, em atividades simples como caminhar até o trabalho, dirigir, pegar transporte público ou permanecer perto de janelas.

O dermatologista Marcelo Picone, da Hapvida, reforça que a proteção apenas em momentos de “exposição direta” não é suficiente. Segundo ele, quem usa protetor apenas nessas situações tem risco duas a três vezes maior de desenvolver câncer de pele e apresentar sinais de envelhecimento precoce quando comparado a quem mantém o uso diário.

O principal vilão da rotina é o  raio UVA ( raio ultravioleta A), radiação associada ao envelhecimento acelerado, manchas e maior risco de câncer. Esse tipo representa 95% da radiação que chega à Terra, permanece intenso entre 8h e 17h durante todo o ano e atravessa nuvens e vidros. “O vidro comum bloqueia quase todo o raio raio UVB ( raio ultravioleta B) , mas deixa passar até 70% do UVA. Ou seja, você não queima, mas envelhece e aumenta seu risco de câncer”, afirma o médico.

A radiação UVB é a que causa queimaduras e está mais associada ao câncer de pele. Essa radiação está presente nos raios solares em maior intensidade entre às 10h e 16h, quando o sol está incidindo mais diretamente na Terra, é por esse motivo que nesse o período, não é indicado a exposição solar. O UVB penetra mais superficialmente na pele e tem um poder maior de reagir com o DNA humano, associada-se ao câncer de pele.

Já a radiação UVA está presente nos raios solares o dia inteiro. Ela ultrapassa vidros de janelas e consegue se fazer presente mesmo com o clima frio. O tempo pode estar nublado, mas ela ainda está ali. Essa radiação penetra mais na pele e também está associada ao câncer de pele, além de ser a radiação que causa o envelhecimento precoce da epiderme.

A exposição diária, mesmo que breve, se acumula. Apenas 15 a 20 minutos de deslocamento cinco vezes por semana podem somar mais de 33 horas de radiação por mês.

Alguns grupos acabam mais vulneráveis, como motoristas e motoboys, que apresentam danos mais intensos de um lado do rosto e braço; trabalhadores externos, como varredores e agentes de trânsito; pessoas com melasma; idosos, pela pele mais fina; crianças, cuja queimadura grave dobra o risco de melanoma; e pessoas negras com vitiligo ou albinismo, que também têm maior fragilidade.

Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçam o alerta: o câncer de pele segue como o tipo mais frequente no Brasil, com mais de 220 mil novos casos estimados para 2025, impulsionado principalmente pela exposição solar crônica.

Para o uso diário, o Consenso Brasileiro de Fotoproteção e a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomendam protetores com fator de proteção solar (FPS) a partir de 30, preferencialmente entre 50 e 70  e proteção contra UVA . A textura deve combinar com o tipo de pele e a quantidade ideal é de cerca de uma colher de chá para rosto, pescoço e orelhas. A reaplicação é indicada a cada três ou quatro horas em casos de exposição prolongada.

Os cuidados complementares seguem indispensáveis: óculos com proteção UV400 (nível de proteção para óculos que bloqueia 100% dos raios ultravioleta UVA e UVB), chapéus, bonés e roupas com fator de proteção ultravioleta (UPF), especialmente para crianças e profissionais que trabalham ao ar livre.

A campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pele destaca que a fotoproteção é um cuidado contínuo. “Fotoproteção é cuidado contínuo. Não é sobre sol forte, é sobre rotina”, conclui o dermatologista.

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